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Association de capoeira PALMARES de Paris.
Por volta de 1963, o ator de cinéma Roberto Batalin produz um disco de capoeira com os mestres Traíra, Gato et Cobrinha Verde. Pouco tempo depois este disco estreia novamente com o título Capoeira da Bahia, mestre Traíra. Uma versão em CD encontra-se facilmente. Para completar estas músicas, que figuram em nossa opinião entre as melhores gravações comerciais de capoeira existantes, publicamos as informações, fotos e texto que encontravam-se na primeira edição, e que não foram retomados nas demais.
| A produção | | | Texto de Dias Gomes | | | Créditos | | | Notas | | | Anexos |
Em 1960, a peça Pagador de promessa, de Dias Gomes, leva um grande e merecido sucesso. O jogo de capoeira nela aparece como um sinal da cultura popular que se opõe ao rigor despido de compaixão da hierarquia católica; os capoeiristas participam da ação dramática. A adaptação da peça para o cinéma ganha a Palma de Ouro em Cannes em maio de 1962. Centenas de milhares de espetadores assistam à cena de jogo de capoeira nos degraus da igreja do Passo, em Salvador, no filme de Anselmo Duarte. Este sucesso oferece uma oportunidade àqueles que apreciam o jogo de capoeira para torna-lo melhor conhecido.

Mais ou menos nessa época, o ator
Roberto Batalin grava a capoeira de
mestre Traíra, com a participação de
Gato, já conhecido como tocador de berimbau,
e a visita du célebre mestre Cobrinha Verde.
Com o auxílio de vários artistas famosos, Augusto Rodrigues,
Carybé, Salomão Scliar,
Marcel Gautherot, José Medeiros,
e de Dias Gomes, quem escreve um texto introdutivo,
Roberto Batalin edita as suas gravações em disco LP,
com álbum de 16 páginas de textos e fotos, na casa Xauã, no Rio de Janeiro,
que lança assim o seu segundo disco de folclore brasileiro.
Seja porque a primeira edição tivesse sido muito limitada, ou porque
depois do golpe militar de 1 de Abril 1964, o nome de Dias Gomes,
demitido do seu posto na Rádio Nacional e cujas peças estão interditadas,
não prestava mais para vender discos, uma segunda capa, muito mais simples,
foi logo realizada. Na mesma época,
a J.S. Discos lança o Curso de Capoeira Regional de Mestre Bimba;
portanto ficou útil precisar,
Capoeira da Bahia -- Mestre Traíra. Esta segunda edição,
ou segunda apresentação,
ficou, afinal, mais conhecida do que a primeira.
| A produção | | | Texto de Dias Gomes | | | Créditos | | | Faixas | | | Notas |

primeira página do álbum.
O texto aparece em duas colunas, ocupando toda a terceira página do álbum. Este ainda traga, em uma coluna, uma tradução inglesa na 4ª página e uma tradução francesa na 6ª página.
CAPOEIRA é luta de bailarinos. É dança de gladiadores. É duelo de camaradas. É jôgo, é bailado, é disputa -- simbiose perfeita de fôrça e ritmo, poesia e agilidade. Unica em que os movimentos são
comandados pela música e pelo canto. A submissão da
fôrça ao ritmo. Da violência à melodia. A
sublimação dos antagonismos.
Na Capoeira, os contendores não são adversários, são "camaradas". Não lutam, fingem lutar. Procuram -- genialmente -- dar a visão artística de um combate. Acima do espírito de competição, há neles um sentido de beleza. O capoeira é um artista e um atleta, um jogador e um poeta.
É preciso entretanto
distinguir a verdadeira Capoeira, tal
como ainda hoje é praticada na Bahia, daquela que notabilizou
malandros e desordeiros, em medos do século passado, no Rio e
no Recife. Aqui [no Rio, N.d.E],
a Capoeira era realmente uma luta de rua, que
incluia a faca e a navalha, além dos golpes caraterísticos.
Levava o pânico às festas populares e provocava a justa
intervenção da Polícia. Na Bahia mesmo, por
aquela época, os capoeiras andavam preocupando as autoridades
da província pelas desordens que provocavam. Para ver-se
livres dêles, o Governo mandou-os lutar no Paraguai. E pela
primeira vez a rasteira, o aú, a meia-lua
e o rabo de arraia foram usados como armas de guerra. Com successo,
a julgar pela História...
Mas a Capoeira é apenas uma vadiação -- assim a chamam os jogadores da
Bahia, que ainda hoje a praticam nas festas no Bonfim e da Conceição
da Praia, onde os mestres se exibem, continuando a glória
de Mangangá e de Samuel Querido de Deus, capoeiras lendários.
TEM NOVE MODALIDADES A ARTE DA CAPOEIRA, que se distinguem pela música e pela maneira de
jogar. São elas:
A mais praticada -- e também a mais rica em temas e coreografia -- é a primeira. Ha também a "capoeira regional" ou "luta regional baiana", de mestre Bimba, com exertos de jiu-jitsu, box e catch, justamente repudiada pelos puristas da arte.
NA CAPOEIRA DE ANGOLA, UM RITUAL PRECEDE A LUTA: dispostos em semicírculo, os "camarados" iniciam o canto, ao som dos berimbaus, pandeiros e chocalhos. Agachados diante dos músicos, os dois jogadores, imóveis, em respeitoso silêncio. É o preceito. Os capoeiras se concentram e, segundo a crença popular, esperam o santo. Os versos do preceito variam, mas os últimos são sempre os mesmos:
Eh, vorta do mundo
camarado!
É o sinal. Girando o corpo sôbre
as mãos, os capoeiras percorrem a roda e dão início
à luta-dança, cuja coreografia é ditada pelo
andamento da música. Esta jamais é interrompida,
sucedendo-se os temas, de ritmo variável, tirados pelo mestre
e repetidos pelo côro. As primeiras melodias são,
geralmente, dolentes -- e a luta começa em câmara-lenta,
com golpes largos, onde os capoeiras evidenciam o perfeito controle
dos músculos. Logo muda o toque do berimbau e o ritmo se
acelera -- os jogadores mudam o jogo e as pernas começam a
cortar o ar com agilidade incrível. A assistência
estimula os contendores:
-- Quero ver um "rabo de arraia", Mestre Coca!
-- Seu menino, que "aú"!
-- Vamo lá, meu camarado, deixa
de "mas-mas" e toca uma "chibata" nele!
E não falta um farejador de
defunto que diga, soturnamente
-- Eu queria ver isso mas é à vera....
A capoeira é um brinquedo. Assim, muitos golpes são proíbidos, como aqueles que atingem os olhos, os ouvidos, os rins, o estômago, etc.
Mas se a luta é à vera, vale tudo...
O golpes mais conhecidos são:
Há ainda a CABEÇADA, o
GOLPE DE PESCOÇO, O DEDO NOS OLHOS e muitos outros golpes, ou
passos dêsse estranho e másculo ballet que os
escravos bantus nos trouxeram de Angola, com sua bárbara e
poderosa cultura.
É possível que a Capoeira, tal como é praticada hoje na Bahia, muito pouco deva à sua pátria de origem. Nos versos e nas melodias gravados neste álbum, sente-se a presença de nosso povo, em sua capacidade de assimilação e recriação. E a própria transformação de uma luta em um bailado, de uma contenda num motivo para cantar e dançar é muito de nossa gente...
A Capoeira é uma manifestação autêntica da índole, do espírito e do gênio do nosso povo. E com ela nós mandamos ao mundo uma mensagem: que bom se todo conflito, todo litígio, por mais violento, pudesse ser resolvido com música e poesia.

páginas centrais do álbum. Reprodução de uma pintura de Augusto Rodrigues.
| A produção | | | Texto de Dias Gomes | | | Créditos | | | Notas | | | Anexos |
Créditos copilados a partir das páginas 2 e 14 do álbum e das étiquetas do disco.
![]() |
Mestre | Traíra (João Ramos do Nascimento) |
|---|---|---|
| Lado A faixa 2 | Cobrinha Verde (Rafael Alves França) | |
| Berimbau | Gato (José Gabriel Gões) Chumba (Reginaldo Paiva) De Guiné (Vivaldo Sacramento) |
|
| Pandeiro | Pai-de-Família (Flaviano Xavier) Quebra-Jumelo (Vanildo Cardoso de Souza) |
|
| Canto | Didi (Djalma da Conceição Ferreira) | |
| Produção | Roberto Batalin | |
| Fotos | Salomão Scliar Marcel Gautherot |
|
| Texto | Dias Gomes | |
| Desenhos | Augusto Rodrigues Caribé |
|
| Paginação | José Medeiros (image) | |
| Coordinação geral | Editora Xauã Pça Mahatma Gandhi 2 5.910 Telefone 43-300 Guanabara Brasil |
|
| Impressão | Artes Graficas Palmeiras Rua Barão de Itapagipe 60 Guanabara - Brasil |
|
| Fabricação | Cia. Industrial de Discos Rua 29 de Julho, 169 Rio de Janeiro - Brasil |

Última págian do álbum. Desenhos de Carybé
| A produção | | | Texto de Dias Gomes | | | Créditos | | | Notas | | | Anexos |
por Pol Briand
Ao comparar este disco com as outras duas gravações publicadas na mesma época, o Curso de Capoeira Regional de Mestre Bimba realizado em seu estúdio em Salvador por Jorge Santos por volta de 1962 e o Berimbaus de Bahia de Camafeu de Oxossi oriundo dos da Radio Sociedade da Bahia por volta de 1966, podemos entender quanto diferentes podiam ser os pontos de vista sobre a capoeira entre as pessoas capazes de lançar um disco.
A primeira edição, com o seu álbum de fotografias e de reproduções de desenhos, endereçava-se a um público interessado pela criação artística e dispondo de algum poder aquisitivo. A ausência completa, entre os contribudores, de pessoas ligadas à industria musical fonográfica, e a acumulação de nomes conhecidos no âmbito das artes gráfia e cinematográfica, entre os quais encontraremos facilmente rastros de relações de trabalho, indica suficientemente a origem desta produção.
A tradução do texto em Inglês e em Francês expressa o desejo, ou melhor dizer, a veleidade, jéque os produtores não tomaram os meios de ter boas traduções, de promover a cultura popular do Brasil no exterior, dentro do domínio de ação dos organizadores: Cannes, Hollywood; nota-se a falta de texto em Espanhol ou em Alemão. Um breve exame das biografias destas personalidades as liga com uma correnteza de vez moderna e nacionalista, muito apego à uma criação artística para a qual os próprios artistas definem os critérios de qualidade.
Nós não podemos aderir aos propostos que neguem completamente a violência no jogo de capoeira, e não mentionam esquiva alguma entre seus movimentos. Isto indica uma visão exterior, natural da parte de um autor que deixou a Bahia na idade de treze anos, e que pertencia a um meio social muito diverso do dos capoeiristas. Mas só podemor aplaudir a sua tentativa de conseguir para a capoeira a posição, nem de um esporte no sentido moderno, olímpico, competitivo, regido por regras e sob tutela do Estado, nem como uma simples atração folclórica para os turistas, mas como uma atividade artística de pleno reconhecimento, que define, por consenso, as suas próprias hierarquias.

Parece inútil apontar o que, nas músicas deste disco, contradiz afirmações definitivas mais recentes de capoeiristas e observadores. Tentamos produzir uma descrição objetiva, selecionando critérios básicos para comparar produções de tempos, lugares e pessoas diversas. Guardamos o nosso esforço para a constituição e o treino de um grupo capaz de produzir este estilo musical, esperando, por este rumo, acessar a um estilo de capoeira.
Sentimos algum receio em colocar por escrito a nossa interpretação da música deste disco, à luz da nossa experiência de outros tempos e lugares. Receiamos, colocando explícito aquilo que chegamos a entrever do canto do olho, que o nosso discurso venha a passar por verdade independante da situação dos nossos leitores. Exceto na poesia, as expressões escritas tem um sentido definitivo. Os conceitos intervêm um atrás do outro, cada uma no seu tempo. Na vida, como no jogo de capoeira, os fundamentos atuam juntos e no mesmo tempo. São cada um como um feixe de fios, mais ou menos elásticos, mais ou menos tensos, que ligam famílias de objetos, de situações, de constrangimentos. Nenhum destes feixes, destes campos de forças, exercita influença exclusiva sobre a decisão que há de tomar. Esta diferença fundamental entre a tranqüila linearidade da filosofia e a turbulente dialética da ação incita-nos à mais extremada cautela quando se trata de transmitir, pelo meio do discurso impessoal, algo da nossa muito fraca sabedoria.
Uma coisa, entretanto, parece-nos absolutamente certa, e não tememos afirma-la, na sua simplicidade. O jogo de capoeira e a sua música não praticam-se sozinho; mas a dois, mais vários. No jogo, reage-se ao ataque pela esquiva, à ameaça pelo deslocamento, ao desafio pela zombaria, e a qualquer intervenção do outro por uma criação do momento, procurando, por uma decisão adequada, afirmar-se superior. Deveria também reagir-se à música, que exprima a vontade dos vários que esperam entrar na roda. A música que tocamos para o jogo não o acompanha meramente, mais toma parte no jogo e o reforça me quando cada participante também reage a outro músico a quem responde; é o cruzamento flexível destas ligações que bota todo mundo junto, não é a submissão a uma cadença abstrata vinda por assim dizer de cima.
De determinado jeito, os capoeiristas passam o tempo todo reajustando as suas hierarquias. Quem demostra superioridade no jogo ficando de acordo com a música, de passo no compasso, de fato mostra aquela superioridade aprovada por todos. Os músicos podem deseja-la ou não, querê-la ou não, aqueles movimentos encaixados nos deles fazem como aquela superioridade está na visão deles. Isto acontece com facilidade quando a bateria orienta o jogo pela sua discreta e oportuna intervenção, o se dá com a condição que as ações musicais correspondessem a ações da roda de suficientement perto para o acento de um ciclo musical coincidar com o de um movimento. Do mesmo jeito que para aplicar uma rasteira, se trata de ação suspendida até o momento exato onde deve se produzir. A relação entre jogadores e bateria é ida e volta. Os jogadores seguem a música, os tocadores seguem os passos dos jogadores.
Cabe ao mestre de dirigir os jogadores indicando o estilo que gostaria de vê-los mostrar, e regrando a velocidade pelo andamento da música, não do jeito de que um militar dá ordens, mas como a mão pode girar, sem muitos esfoços, uma roda pesada com um impulso medido que a acelera se fica lenta e a freia se despara, ou então, como um cavalheiro dirige, sem o bruscar, um cavalo. Todos os músicos deveriam reagir uns aos outros. O berimbau cala por uma ou duas batidas, para deixar o outro responder e completar o toque, de um jeito diferente do que teria feito si mesmo; cava um silêncio antes e depois de uma batida de pandeiro para soltar mais a marcação; baixa a voz, pedindo resposta, em forma de variação, da parte do outro berimbau. O coro responde ao puxador, solta grito frente a uma fase do jogo. Neste instante, o nosso discurso enfeza: pois acontece, entre todas as ações musicais, toda a turbulente dialética de interações que que tratamos, a proposto de decisões individuais.
Podemos agora indicar um possível parentesco entre o estilo musical e o estilo de jogo. Para os capoeiristas poderem jogar de acordo com o andamento e o estilo proposto pela música, a seqüença de batidas de base, caraterística do toque, precisa fazer-se ouvir com freqüença suficiente, e o som do tambor que faz a marcação precisa resoar nitidamente. Os instrumentos não podem mergulhar em variações complexas e sem fim o tempo todo. Tipicamente, um berimbau toca o seu toque de base, enquanto o outro produz uma variação; depois, responderá àquela variação por outra, enquanto o parceiro voltou ao seu toque de base. As variações que suprimam ou deslocam batidas são mais eficientes, porque arriscam menos de esconder a parte do outro. O canto e as palmas se tiver não podem ficar fortes demais, para não atrapalhar a voz dos berimbaus. Do mesmo jeito, os jogadores não podem lançar-se em longos momentos de movimentos acrobáticos ou de combate, que não devolvem para os percussionistas indicação de ritmo. A ginga dos jogadores corresponde ao toque de base dos instrumentos da orquestra. Os movimentos no jogo não fluam regularmente, eles pausam e batem, como os das mãos sobre um tambor. É a contribuição deles à ligação entre jogo e música.
Percebemos na capoeira moderna, um excesso de ataque e um defeito de esquiva; na sua música, um excesso de ação e uma falta de silêncio. Ao escutar os instrumentos, parece que cada um quer tocar todo o toque sozinho, como se não tivesse interesse em reagir ao outro. Sente-se uma regularidade mecánica, ipnótica, com variações arbitrárias sem relação uma a outra.
Já faz algum tempo, vimos a duvidar se a alfabetização, a pressão
do rádio e da televisão, a educação individualista, entre outros
fatos da vida em nossa época, teriam liberado as pessoas do desejo de interagir com
os seus companheiros humanos, ou se, no contrário, a prática da capoeira dentro
do estilo que temos brevemente desenhado,
poderia oferecer um meio de desenvolver as capacidades, reduzidas pela mesma estrutura social,
de satisfazer este desejo de interação entre humanos, desta vez entendido como
uma necessidade fundamental. Como disse o poeta
Octavio Paz o ritmo é uma visão do mundo
.
É dizer o valor que damos à gravação de que se trata aqui.
O Brinquedo da Capoeira, Tablado Folclórico, São Paulo:Record, 1961,pp. 125-136. 1ª ed. Revista do Arquivo Municipal de S. Paulo, vol LXXXIV, pp. 157-162, 1941.
enregistré dans les studios de Radio Sociedade à Bahia.
Berimbau, o arco musical da capoeira, Revista do Instituto Geográfico Histórico da Bahia, n°80, Salvador:IGHBa, 1956, pp.229-264.
El ritmo, El arco y la lira, 1956, ed. cit. O.C., México: Fondo de Cultura Económica, 1995, v. I, p. 73-88. Edición digital de Patricio Eufraccio Solano.
| Produção | | | Texto de Dias Gomes | | | Créditos | | | Notas | | | Annexos |
| Música | | | Inglês | Francês | | | Temas | | | Pessoas | | | Época |
Resumo somário do conteúdo das 7 faixas. Exceto em
citação direita
, la designação dos toques
de berimbau é nossa. Para a identificação do puxador,
seguimos as indicações da etiqueta do centro do disco. Leiam a
nossa definição dos termos descriptivos
chula, corrido, etc.
=80]
Eu 'tava em casa. Em Fá.
see notes
=92]
Santa Maria.
8 chamadas de mesma letra e respostas do coro.
=100
=72]
Menino que vende aí?. Em Fá#Santo Antônio é protetor;
o puxador varia a sua chamada [acelerando]
=104.
>=80]
Riachão 'tava cantando. Em Sol.
vê notas.
>=88
=94]
Parana é,
8 letras diferentes para as 12 chamadas.
=90→100Ponha laranja no chão tico-tico
(em Fa#, o puxador volta a cantar antes do final do coro) …Ponha laranja no chão tico-ticoPonha laranja no chão tico-tico
um total de 43 chamadas com duas letras diferentes.
=104Angola Pequena;
=74Angola;
=80Angola Dobrada;
>=88Santa Maria;
=88Regional;
=94Cavalaria;
=98Jôgo de Dentro;
=96Guarani;
=96Gêge;
=98Kêtu;
=98Utilisamos termos descriptivos da música num sentido restrito que não se costuma atribui-los somente para evitar as repetições no resumo sumário acima. Estas definições não podem considerar-se normas.
A primeira peça de uma seqüença completa de cantos de capoeira. Quando demora, quase sempre o caso atualmente, costuma-se chama-la de ladainha. Aqui não precisamos desta diferença, já que o nosso único objetivo é classificar os momentos da atuação musical, e que indicamos o número de versos. Costuma-se não jogar durante a chula.
Canta-se enquanto os capoeiristas dançam/lutam. Às vezes o solista prefere variar o canto de um só verso.
camará.
Sempre depois de uma chula e antes de um corrido. Via de regra o jogo de capoeira começa quando este canto termina (ver preceito no texto de Dias Gomes).
Os termos chula et corrido encontram-se no samba de roda, com o mesmo sentido indicado aqui, inclusive em relação à dança. O conceito de marcação também é corriqueiro na música popular brasileira.
| Produção | | | Texto de Dias Gomes | | | Créditos | | | Notas | | | Annexos |
| Música | | | Inglês | Francês | | | Temas | | | Pessoas | | | Época |
Peça de Dias Gomes, 1960
Um simples camponês, Zé-do-burro, seguido da sua mulher, chega a frente de uma igreja em Salvador, carregando uma pesada cruz de madeira que ele deseja depor no pé do altar de Santa Bárbara em conseqüença de uma promessa que fez num acaso. O padre, que desaprova a superstição, proíbe o acesso à igreja, ainda mais quando escuta as explicações, que mesclam o candomblé ao catolicismo, e que aprende que o objeto da promessa é um anima, o burro de Zé. Este, determinado em cumprir a sua promessa, espera a frente da igreja. Os curiosos se ajuntam...
Na sua comunicação sobre o berimbau aos seus colegas do Instituto Geográfico Histórico da Bahia em 1956, Albano Marinho de Oliveira nota
Presentemente, porém, vêm sendo criados temas, quasi sempre longos, de pouco efeito melódico, uma vez que o mestre de capoeira demora-se entoando os numerosos versos de extenso solo, versos sem métrica, nem rima e quasi sem o acompanhamento coral do grupo de tocadores.
Oliveira 1956:255
O letrado autor informou-se junto aos mestres de capoeira Waldemar e Bimba.
Não conhece-se temas
deste tipo pelo criador da Capoeira Regional.
De fato, nas gravações de Lorenzo Turner, efetuadas em fins
de 1940, todas as chulas, qualquer seja o grupo, tem quatro a dez versos;
já na de Anthony Leeds feita na capoeira de Waldemar em 1950, aparece uma
ladainha de mais de sete minutos, que é
versão original e própria, em 144 versos de redondilha maior, da estória
do Valente Vilela, divulgada nos folhetins da literatura de cordel.
Assim data-se a introdução das chulas longas, correspondante à
prática domingueira do jogo de capoeira, suponhamos mas tranqüilamente do que
na época da repressão policial. A demora no pé do berimbau,
esperando a hora de jogar, podia levar os capoeiristas a chamar, jocosamente, este canto
de ladainha.
Duas das três chulas cantadas por Traíra, freqüentement associado a Waldemar, podiam deixar os capoeiristas esperando um tempo suficiente para chama-las de ladainhas, com 28 versos em dois minutos e 40 versos em dois minutos e meio. As duas outras faixas não cabem na seqüença comum dos cantos de capoeira, chula, canto de entrada, corrido(s). Já a contribuição de Cobrinha Verde se conforma à seqüença, com uma chula curta assim como nas gravações de 1940.
Mais do que a qualquer cantor existante, esta cantiga refere-se ao Desafio de Riachão e do Diabo, de que existem inúmeras versões na literatura de cordel e citações nas gravações de música de capoeira.
| Produção | | | Texto de Dias Gomes | | | Créditos | | | Notas | | | Annexos |
| Música | | | Inglês | Francês | | | Temas | | | Pessoas | | | Época |
Agradeceremos toda informação suplementar sobre as pessoas citadas nesta página, sobretudo relativas àqueles de quem ignoramos tudo. Fotografias da época seriam particularmente bemvindas. Autores e contributores serão devidamente citados.
Cobrinha VerdeCobrinha Verde(Santo Amaro, BA c. 1910 -- Salvador, 1983). Um dos mestres de capoeira mais conhecidos dos anos 1950 et 1960. Tinha aprendido a capoeira com o seu primo o célebre Besouro Mangangá (morto em 1927). Obligado em deixar Santo Amaro, foi jagunço, soldado regular, pedreiro, curandeiro, tocador de viola-de-samba. A sua
capoeiraele colocou primeiro na Curva Grande; depois a expansão urbana o empurrou para o subúrbio de Nordeste de Amaralina, onde abreu a sua academia
Dois-de-Julho. No últimos anos da sua vida, afirmou ter cumprido a promessa feita ao seu mestre e primo de nunca ganhar dinheiro com capoeira.
Traíra
Gato
Roberto Batalin
Dias Gomes
Carybé
Augusto Rodrigues
Marcel GautherotCapoeira de Angolade Benedito Peixoto. Não sabemos a qual dos fotógrafos creditados attribuir as demais.
José Medeiros
Anselmo DuarteMestre Canjiquinha e sua academia de capoeira. O futuro diretor de filmes bahiano Glauber Rocha tinha preparado o filme na Bahia, sendo que nem o autor, Dias Gomes, nem o diretor tinham conhecimento direito de Salvador, dos Bahianos nem da política local. Glauber já tinha empregado Canjiquinha no seu próprio filme, de orçamento muito inferior, Barravento, no ano anterior.
| Produção | | | Texto de Dias Gomes | | | Créditos | | | Notas | | | Annexos |
| Música | | | Inglês | Francês | | | Temas | | | Pessoas | | | Época |
Brinquedo da Capoeira.
I had a Dream (Fez um sonho) a frente de 300000 pessoas protestando contra o racismo institucional.| Produção | | | Texto de Dias Gomes | | | Créditos | | | Notas | | | Annexos |
| Música | | | Inglês | Francês | | | Temas | | | Pessoas | | | Época |
Volta para documentos históricos.
Lucia Palmares & Pol Briand