Noticiários da Bahia,
outubro 1940 a maio de 1941

copilado por Pol Briand
pesquisa em Agosto 2005
polbrian@mandinga.fr
Revisado 18 setembro 2007.

Olhando ligeiramente a imprensa do tempo da estadia de Lorenzo D. Turner na Bahia, tivemos a intenção de recolher elementos de contexto, não de realizar uma verdadeira pesquisa sobre a questão racial nos jornais. Apenas copiamos os destaques; a presença dos negros e mestiços é constante nas páginas de esporte, e a caraterização racial é freqüente ao tratar casos de polícia.

A guerra na Europa é assunto de porte para os jornais, cujos pendores aparecem claramente, ou para Inglaterra, que ficava só no combate após a derrota da França em junho, ou para Alemanha. Esta posição não se relaciona claramente com opiniões racialistas, nem com atitude para com os norte-americanos.

A vinda de americanos de alguma notoriedade era motivo de artigos para os jornais do grupo Diarios Associados, fundados por um brasileiro, Assis Chateaubriand com fundos ao menos parcialmente oriundos da América do Norte. Edward Franklin Frazier, autor, já em 1927, de publicação de grande impato, A Patologia do Preconceito Racial, seguida por outras, era claramente o mais importante. Turner, um ano apenas mais novo, tinha um posto de responsabilidade em um universidade de menor nome e não tinha publicado livro. Portanto, não é para estranhar que os dois cotidianos baianos dos Diários Associados deram mais demorada entrevista do primeiro, sem todavia desatender o segundo.

Recolhemos, nos programas de radio, fotos e críticas dos os artistas que gravaram para o professor Turner. O leitor poderá comparar os retratos e a opinião de Turner expressa em 1957, in many sections of the country he [the Negro] practically dominates the radio stations as a singer and musician (em muitas secções do país o Negro practicamente domina as estações de rádio como cantor e músico). Reparamos que os artistas que gravaram com o professor não são os mais tipicamente negros, sem poder atribuir este fato a escolha do pesquisador ou a atitude dos artistas. Nem todos os participantes da coleção aparecem em jornais, podendo os demais serem amadores ou acompanhantes das estrelas. A discussão da música tocada não cabe aqui.

Outro elemento a que prestamos atenção é o termo capoeira. Na amostra, designa exclusivamente o jogo. Os jornais relatam desordens e acertos de conta na rua sem motivo bem definido, mencionam desordeiros, navalhistas, menores suspeitos de infrações, sem usar outra palavra senão a mais própria para tais fatos.

A presença dos cultos de origem africana se faz sentir fracamente, principalmente na ocasião das festas do Bonfim.

  • Turner, Lorenzo Dow (1995–1972) The Negro in Brazil, Chicago Jewish Forum, Summer 1957, pp. 232-236; in Hellwig, David (ed.), African-American Reflections on Brazil's Racial Paradise, Philadelphia:Temple University Press, 1992, pp. 159..165.

Caraterização dos jornais

Todos estes jornais tem o mesmo formato e oito páginas.

Caraterização dos jornais por Jorge Amado, em Bahia de Todos os Santos, 1ª edição, 1945, pp. 277-278, seguido dos nossos complementos.

  • A Tarde, vespertino, eacute; o diário mais lido da cidade. É um jornal “provinciano” no bom sentido da palavra. Um jornal feito para a Bahia, dando maior importância aos acontecimentos locais que aos de fora. Daí talvez a sua influência que se estende até Sergipe, onde é mais lido que os próprios diários locais. Talvez que qualquer dos outros jornais da Bahia interesse mais ao visitante que A Tarde, porém ao baiano nenhum interessa tanto. Jornal conservador, inimigo das manchetes berrantes, com boa impressão. Dirigido pelo dr. Simões Filho, ex-deputado e ex-senador federal, com Ranulfo Oliveira na chefia da redação. Funciona em prédio próprio, um aranha-céu na Praça Castro Alves.

    Certamente o jornal de melhor qualidade redacional. Respeituoso da hierarquia social, dá mais espaço à “boa sociedade” baiana e menos aos pretos. Na relação do conflito na Europa, pende mais do lado inglês. Publica, irregularmente, o programa detalhado da PRA-4 (Radio Sociedade).

  • O Estado da Bahia, vespertino. Fundado no govêrno Juracy Magalhães é o mais jovem diário da cidade. Pertence hoje à cadeia dos Diários Associados. Ágil e movimentado, tem boa venda. Já foi dirigido por Vitor do Espírito Santo, numa das suas melhores fases. Atualmente sob a direção do poeta pernambucano Odorico Tavares. Seu primeiro diretor foi o professor Aliomar Baleeiro. Secretário de redação: Fernando Hupsel. Redação e Oficinas à Rua Portugal, na cidade-baixa.

    Odorico Tavares atuou a partir de 5 março 1942. Vespertino dos Diários Associados com 2 edições diárias. Fica claro que divide parte da sua reportagem com o Diario de Noticias, há algumas matérias quase iguais. Favorável aos Ingleses e mais ainda aos Americanos.

  • O Imparcial. é um matutino de larga difusão entre o povo. É o jornal mais lido pela gente pobre. Tendo pertencido em algum tempo a integralistas, tornou-se com os últimos proprietários destacadamente antifascista. Reportagens sensacionais, manchetes graúdas. Neste matutino trabalharam há muito pouco tempo dois ases do jornalismo baiano: Pinheiro Viegas e Henrique Câncio. Nêle o hoje diretor de rádio Demerval Costalima manteve uma seção intitulada “A cidade” que ainda é recordada. Dirigido por Teódulo Albuquerque, tem como redator-chefe o escritor Wilson Lins e como secretário o jornalista Edgard Curvelo, um dos baianos mais baianos que existem, cheio daquela amabilidade e daquela doçura que são características do nosso povo. Redação e oficina à rua Rui Barbosa, na cidade-alta.

    Na primeira fase, até 10 abril 1941, o jornal dirige-se a pessoas tiradas à inteletual. A tipografia é mais fina que em outros cotidianos, tem alguns artigos bem pedantescos e problemas de xadrez. Os artigos sobre a guerra na Europa são nitidamente a favor dos alemãos. Em inicios de 1941, o Cel Lins de Albuquerque, chefe político da região do São Francisco, compra o jornal. O seu filho Wilson Lins, literato e amigo de Jorge Amado, assume a chefia da redação do jornal que retoma a publicação em 18 abril 1941.

  • Diário de Notícias. foi fundado em 1875. Durante muitos anos foi vespertino. Quando os Associados o adquiram passou a matutino. Durante certa fase, sob a direção do prof. Altamirando Requião, notabilizou-se pelo anticlericalismo. Era enorme, talvez o jornal de maior tamanho do Brasil. Como matutino ficou menor e mais grave, mais sereno também. Dirigido por Odorico Tavares, tem como secretário de redação o senhor Almir Matos. Redação e oficina à rua Portugal, no mesmo prédio que O Estado da Bahia.

    V. acima Estado da Bahia. Alguns artigos de nítida orientação germanofila. Somente em 1942 passou a pertencer aos Diários Associados sob a direção de Odorico Tavares.

  • Diário da Bahia. é um jornal de tradições. Dirigido hoje pelo dr. Carvalho e Sá, pertence à “Emprêsa A Noite”. Antigamente foi órgão de Rui Barbosa e de Muniz Sodré, sustentou grandes campanhas democráticas e nas suas coleções pode-se encontrar muito da vida política da Bahia. Nêle colaboraram grandes nomes nacionais e na sua redação trabalharam alguns dos vultos mais eminentes do jornalismo brasileiro. Atualmente publica aos domingos um suplemento literário. Redação à rua Chile (Edifício Chile).

    No que tange à guerra na Europa, toma o partido inglês. Publica bom número de propagandas comerciais de firmas ou marcas norte-americanas. Por volta de março 41, muda um pouco a linha editoral, com publicação de texto oficiais do governo e de uma coluna regular de exaltação de Getúlio Vargas. Aparecem textos contra os maçons e os judeus. Contém um pouco mais de notícias de cultura negra (em festas populares) além da sempre forte presença de negros no futebol

Destaques

Frazier e Turner

A questão racial nos Estados Unidos

Capoeira
Música

O leitor interessado em música encontrará críticas de música popular nas rúbricas de rádio.

Candomblé

Citado de vez em quando, o povo-de-santo se destaca apenas em uma série de artigos na ocasião da lavagem da basilica do Bonfim. Vem citado ocasionalmente como fonte de inspiração dos artistas de rádio. Continua a repressão sob pretexto de exercício ilegal de medecina.

Entre os interlocutores de Turner, nenhum aparece na imprensa com o seu nome, embora o terreiro da Goméia esteja presente na festa do Bonfim.

A Tarde

Radio

4 outubro 1940 p. 2

… 19h40—19h55 : Julio Moreno; 21h às 21h30 (entre outros) Bob Silva : “Cadê Maria”, chula de Bob Silva, “O jangadeiro de Itapoã, toada de Bob Silva, “Boiadeiro”, toada de Milton Bittencourt. …

Bahia cidade ternura

5 outubro 1940 p.3

por Domingos Laurito. Artigo de louvação à cidade, cita o candomblé entre os aprechos locais.

Radio

11 outubro 1940, p.8

PRA-4 … 19h35-19h50 : Julio Moreno. 21h00, o mesmo, mais Bob Silva “Bahianinha”, fantasia tipica de Bob Silva, “A Bahiana no Samba”, samba tipico de Bob Silva, “O Jangadeiro de Itapoã”, toada praiera de Bob Silva, “Ogum”, batuque de Milton Bittencourt.…

Raimundo Nonato “Si-Bemol”

19 outubro 1940, p.2

Noticia necrológica de Raimundo Nonato da Silveira [foto] nascido em 31 de agosto de 1872, falecido em 19 de setembro de 1940. Interessado desde criança em música, ao professor que indagava de que instrumento queria tocar, respondeu “a clarineta em si bemol”, resposta tão precisa que levou a turma a hilaridade, de que ganho a alcunha de “Si-bemol”. Entento, não se deu bem com aquele instrumento, e virou cantor de modinhas e subiu no côro da catedral

Homem algum jamais me surrou

23 outubro 1940

Homem algum jamais me surrou, disse Jaime Filadelfo, morador da Encruzilhada, 22.

Radio

23 outubro 1940

música européia e samba

PRA-4

… 19h35 a 19h50: Walter Tourinho com o seu orquestra … 21h30 a 21h45: Eladyr Porto [e de novo] W. Tourinho

Radio

25 outubro 1940

PRA-4

Júlio Moreno … Bob Silva …

Cinema

26 outubro 1940

A indústria de filmes brasileiros

[queixas]

Radio

12 novembro 1940

PRA-4

… Júlio Moreno … Eladyr Porto

Para o salário mínimo ser aplicado na Bahia

13 novembro 1940 p. 2

Para o salário mínimo ser aplicado na Bahia

… chegou o Sr. Costa Miranda …

Radio

13 novembro 1940 p. 4

PRA-4

W. Tourinho … Eladyr Porto … Bob Silva

Cozinha-se na Conceição o mais suculento carurú da cidade

7 dezembro 1940 – p. 2

Foto. Nomes de barracas. Legenda As Barracas subtítulo A jogatina em função – sem menção de jogo de capoeira.

O Samba na América do Norte

7 dezembro 1940 – p. 4

Foto: 100% de brancos.

Concorridas como nunca as festas da Conceição da Praia

9 dezembro 1940 – p. 2

O Negro nos Estados Unidos

13 dezembro 1940

responde ao artigo de Frazier no Estado da Bahia. Depoie sobre racismo nos Estados Unidos.

Roosevelt responde a suas cartas

14 dezembro 1940 – p. 2

Isaac Moore, negro americano, ensina o inglês na Bahia há mais de 30 anos [desde 1906]. Foto.

A Bahia deverá ter 400.000 habitantes

19 dezembro 1940 – p. 2

Censo.

O ESTADO DA BAHIA

Outubro não conservado na BPEBa. Conservado no IGHBa.

Vêm fazer na Bahia pesquizas sobre a familia negra

7 outubro 1940

1

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O dr. Franklin Frazier, que chegará amanhã á Bahia

Vêm fazer na Bahia pesquizas sobre a familia negra

Chega amanhã á Bahia dois professores de universidades americanas – Os drs. Frazier e Turner falam sobre a situação do negro americano

Embarcaram sabbado, 5, no Rio de Janeiro com destino á Bahia, os dois eminentes professores americanos drs. Franklin Frazier e Lorenzo Turner que pre-

(Conclue na pag. seguinte)

2

Vêm fazer na Bahia pesquizas sobre a familia negra

(Conclusão da 1ª pag.)

tendem realizar importantes estudos no norte do pais. Os dois professores universitarios yankees veem ao Brazil desfructando os beneficios de duas bolsas de estudos que visam incrementar o intercambio cultural entre as duas maiores nações o Hemisphero Occidental.

O dr. Franklin Frazier é um destacado sociologo americano, autor de vários livros interessantissimos, e seu nome é familiar a todos que se dedicam aos estudos da sociologia no mundo, pois é constantemente citado como uma das autoridades no assumpto. Vem ha mais de doze annos realizando importantes pesquisas sobre a familia negra no mundo, com o fito de fazer uma investigação completa sobre a assimilação da raça negra nos Estados Unidos. Dirige-se agora ao Brasil com o fito de visitar mais demoradamente a Bahia, tendo conseguindo uma bolsa da Fundaçao Guggenheim, que no presente anno distribuiu sete bolsas a estudantes brasileiros. É cathedratico da Howard University, a importante universidade negra localizada em Washington.

O dr. Lorenzo D. Turner é o chefe do departamento de linguistica da Fisk University, de Nashville. O dr. Turner realiza complete estudo sobre a influencia africana nas Americas, sobretudo no que tange á lingua. Está ha quatro mezes no Brasil e já tem um material copioso, com mais de seis mil observações. Vem munido de modernissima apparelhagem para gravação das palavras, conforme se pronunciam nos diversos sectores do Brasil. Já visitou São Paulo, veiu agora para a Bahia e em seguida irá até o Maranhão, regressando em seguida ao Rio afim de visitar Minas Geraes e Estado do Rio.

Congraciamento americano

Os illustres scientistas que a Bahia hospedará pretendem demorar-se alguns meses aqui. Trazem um largo programma de trabalhos e vieram sobretudo attraidos pelos excellentes resultados obtidos pelo prof. Donald Pierson, sociologo americano que estudou fundamente os problema do negro na Bahia. Os drs. Turner e Frazier falando á imprensa do Rio tiveram occasião de dizer que vinham ao Brasil com grande enthusiasmo, desejosos de ligar ainda mais os dois paizes com os seus estudos. O problema da raça negra interessa vivamente ao Brasil e aos Estados Unidos. Homens com uma grande experiencia e perfeito conhecimento de causa, os nossos illustres visitantes muito poderão fazer na orientação dos que se dedicam aos estudos afro-brasileiros entre nós, e, conforme declararam, aprenderão muitas cousa interessante e que nos são peculiares.

O dr. Donald Pierson, nome bastante conhecido na Bahia, está agora dando um curso de sociologia na Escola Livre de Sociologia e Politica de São Paulo com grande successo.

A situação do negro americano

O dr. Frazier teve ocasião de falar á imprensa sobre a situação do negro americano, fazendo judiciosos commentarios sobre a respectiva situação economica e social, deixando-nos ver que as discriminações de casta contra o negro estão quasi desapparecidas nos Estados Unidos. Não ha qualquer inferioridade do negro, que necessita apenas de opportunidades para desenvolver sua capacidade. O negro americano tem hoje educação profissional, educação universitaria, sobretudo no norte do paiz, onde os preconceitos sempre foram mais fracos do que no sul, presta relevantes serviços á cultura americana. Mostrou-se empolgado pelos estudos feitos no Brasil e affirmou que terá muito que aprender com os nossos estudiosos. O dr. Frazier seguirá dentro de quatro mezes para as Indias Occidentaes e depois para Martinica e Haity. Pretende voltar ao Brasil dentro de pouco tempo, sendo sua viagem atual sobretudo exploratoria do campo que vae pesquisar com grande intensidade.

Os dois illustres viajantes prometteram uma entrevista longa, na qual abordarão curiosos pontos que interessam sobremodo ao Brasil particularmente aos estudiosos dos problemas afro-brasileiros.

[Texto integral]

O negro nos Estados Unidos não é mais um pária

8 outubro 1940

[artigo previsto em 1a. página, na 2.a ed. em pág. 8, a 1a. sendo mobilizada por notícias da guerra na Europa

8

O negro nos Estados Unidos não é mais um pária

Fala o professor Frazier, sociologo negro da Universidade de Howard – Uma força que o Sul desprezou e o Norte soube aproveitar – Lincoln e Roosevelt – O Negro conquista direitos de cidadão

Entrevista exclusiva para os DIARIOS ASSOCIADOS

O Dr. Franklin Frazier e um nome conhecido de todos quanto se dedicam aos estudos sociologicos no mundo.

O illustre professor americano se acha presentemente no Brasil, onde veiu fazer estudos exploratorios para uma longa pesquisa, que pretende realizar aqui sobre a assimilação da raça negra, tal como ha doze annos vem fazendo nos Estados Unidos. Chegou hoje á Bahia e espera demorar-se na cidade do Salvador cerca de cinco mezes. Tratando-se de uma grande autoridade em sociologia, procuramos ouvir o illustre cathedratico da Howard University de Washington, que vem ao Brasil mandado pela Fundação Guggenheim, realizar pesquisas e collaborar na obra de approximação cultural yankee-brasileira.

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O Prof. Lorenzo D. Turner

A situação economica e social do negro americano

O reporter começou a palestra com o prof. Franklin Frazier, pedindo a sua autorizada impressão sobre a actual situação economica e social do negro americano, perguntado-lhe si era melhor o peor a posição do negro na terra de Roosevelt.

(Conclue na 5ª pagina)

5

O negro nos Estados Unidos não é mais um pária

(Conclusão da 1ª pag.)

– É difficil descrever em poucas palavras a situação do negro americano, sobretudo fazendo uma comparação com o passado – começo o dr. Frazier. Por exemplo, póde-se dizer que a situação economica é menos precaria que no tempo da escravidão. Uma tal affirmativa, porém daria uma idéa erronea, pois não estabelece a differença entre a situação economica dos negros numa sociedade agraria baseada na escravidão e a situação do negro como trabalhador livre, numa sociedade dominada grandemente pela concorrencia.

Si, entretanto, limitarmos nossa affirmativa ao periodo que se iniciou com a emancipação dos escravos, podemos indicar de modo geral, transformações sociaes e economicas na vida do negro americano. Depois da emancipação e da guerra civil o negro entrou em competição com o trabalhador branco. E quando a competição começou os brancos pelo meio de organizações de classe conseguiram excluir os pretos de muitas profissões. Convém não esquecer que tudo isso se verificou no periodo de expansão industrial americana. Boker T. Washington, o grande lider negro, se tornou uma figura destacada no apagar das luzes do século passado, porque propoz a educação industrial para os negros como um meio de vencer a competencia desencadeada pelos brancos.

O treino nas artes manuaes, porém, não era o bastante para o trabalhador negro na idade da machina. Em consequencia, o negro se viu forçado a procurar typos de trabalho mais baixos, onde a especialização e preparo technico não se faziam tão necessarios. Só durante a guerra mundial, quando as grandes migrações do trabalho para as cidades do Norte se acentuaram, foi que o negro americano conseguiu assegurar o seu logar na industria americana moderna.

Ha certa discriminação contra o trabalhador negro, mas o facto de haver maior proporção de negros desempregados, recebendo auxilio do governo, se deve, em grande parte, ao facto do negro estar sempre empregado em profissões onde é menor o numero de opportunidades.

A movimentação dos negros — prosegue o Dr. Frazier — do sul rural para as cidades do norte veiu trazer transformações ao estatuto social do negro americano, tedendo a libertá-lo das restricções de casta tão communs no Sul. Na vida movel e anonyma das grandes cidades do Norte, a differença occupacional da população negra tem passado por grandes transformações. Para os elementos de sangue misturado, especialmente os de complexão mais delicada, têm sido maiores as opportunidades para desenvolvimento dos seus talentos e venda dos seus serviços e habilidades. Além disso, devido á sua força politica no Norte, os negros têm tido facilidade de assegurar o direito de participar nas funcções municipaes e desfructar de todos os serviços prestados pela comunidade. A maxima medieval Stadtluft macht frei (A liberdade vem com o ar da cidade) se applica, atualmente, ao negro americano.

A educação proficional do negro americano

O Prof. Frazier procura dar sempre a interpretação economica a todos os seus pontos de vista. Inquerido sobre a necessidade do ajustamento do negro á industria americana, por meio da educação technica e proficional, disse o seguinte:

– O negro educado technica e proficionalmente, nos Estados Unidos, deveria encontrar um logar na organização economica, mas os preconceitos de casta, até certo ponto, difficultaram o effeito destas qualidades. Em grande parte, no passado, o negro mesmo educado profissionalmente era obrigado a procurar trabalho no “mundo negro”. Refiro-me quando falo em “mundo negro” a uma parte da organização bi-racial, que surgiu como uma consequencia logica do isolamento do branco, levado por questões de raça, attingindo até os descendantes da raça negra.

Theoricamente, o negro mesmo educado adequadamente teria de procurar os trabalhos mais inferiores, mas os preconceitos de côr não podem estabelecer-se numa sociedade altamente urbanizada e industrializada que tem como base a competição.

Graças aos philantropos do Norte, que offereceram fortunas para estabelecer escolas para educação technica e proficional dos negros e á sincera dedicação de missionarios brancos tambem do Norte e professores que vão ao Sul dirigir taes escolas, não convindo esquecer que os negros já são aceitos nas instituições educacionaes do Norte, passou a existir uma classe de negros devidamente preparados technico e proficionalmente. As communidades negras nas grandes cidades como Chicago, Nova York, Philadelphia e Detroit cresceram muito e se tornaram mercados interessantes para os profissionaes. O profissional negro já pode ter clientes brancos em certos logares.

Differenças e similaridades entre o Brasil e os Estados Unidos

– Com apenas um mez no Brasil – disse o Dr. Frazier – não posso fazer qualquer affirmativa definitiva sobre as similaridades e differenças entre os negros do Brasil e os negros dos Estados Unidos. Vou adiantar, porém, duas observações que já formulei. Nos Estados Unidos a existencia de uma “linha de côr” determinou a formação de uma solidariedade entre os negros e os de sangue misturado, o que tornou a raça negra extremamente race conscious.

A imputação da inferioridade racial estimulou os negros a vencer as suas incapacidades. No Brasil, parece-me não existir esta solidariedade racial e esta consciencia de raça, e os de sangue misturado, mulatos e pardos, não se unem muito aos realmente negros. Se existisse uma “linha de cor” aqui no Brasil, evidentemente ella se manifestaria por meios muito subtis e é baseada mais em preferencias e antipathias pessoaes do que em praticas institucionalizadas.

A segunda observação diz respeito aos negros puros e aos de sangue misturado. Nos Estados Unidos, bem como no Brasil, os mulatos e outros typos de sangue misturado, são encontrados em maior numero nas classes mais altas do que os negros puros. Parece-me que apesar das differenças na situação racial dos dois paises o mesmo processo de selecção é responsável pela situação. Nos dois paises os de sangue misturado teem tido assim mais facilidade para ascenção na pyramide social do que os de sangue inteiramente negro. Nos Estados Unidos, porém, grandes massas de negros puros estão recebendo educação completa e assim se elevando a camadas sociaes e economicas mais altas.

Os estudos afro-brasileiros

O Dr. Frazier não esconde a impressão que lhe causam os estudos afro-brasileiros. Teve palavras de admiração e de applauso para os nossos estudiosos desses assumptos. Acha que taes estudos podem servir como um meio de aproximar ainda mais brasileiros e americanos do norte. Referiu-se com especial carinho ao trabalho, que vem sendo realizado em São Paulo pelo sociologo americano Donald Pierson, na Escola Livre de Sociologia e Politica. O prof. Pierson esteve dois annos na Bahia estudando as religiões negras, sobre as quaes escreveu importante trabalho que dentro em pouco ser&aactue; traduzido para o nosso idioma. As relações culturaes entre os Estados Unidos são um thema de grande interesse para os dois paizes, pois o Brasil tem muito que ensinar aos americanos no que tange ás relações raciaes.

O trabalho que vae realizar no Brasil

Sobre o importante trabalho que tem em mira realizar na Bahia, o Dr. Frazier assim se expressou:

– Durante os quatro ou cinco meses que pretendo passar no Estado da Bahia, antes de seguir para as Indias Occidentaes Hollandezas, realizarei apenas um estudo explorador das possibilidades para um campor de estudoes, que ha doze annos venho levando a effeito nos Estados Unidos. Tenho estudado a familia negra como um meio de estudar o processo de assimilação racial. Taes estudos revestem-se tambem de valor theorico para o estudo da familia em geral. Espero futuramente realizar os mesmos estudos no Brasil.

O Dr Frazier, apesar de estar no Brasil apenas ha um mez, já começa a dominar bem o nosso idioma. Relatou passagens interessantes dos seus primeiros contatos com os brasileiros, louvando a hospitalidade dos cariocas e mostrando-se gratissimo ás facilidades que tem encontrado em todos os circulos brasileiros.

Pelas palavras do illustre sociologo americano se pôde deprehender com facilidade a grande evolução que vem experimentando a situação do negro americano, sobretudo depois que ascendeu ao Governo americano o Presidente Roosevelt, cuja esposa tem sido uma das maiores advocadas da igualdade de direitos para para pretos e brancos na grande democracia americana, dando o mais completo apoio a todos os emprehendimentos neste sentido, indo ao sul fazer conferencias nas escolas technicas de negros e tomando attitudes incisivas como no caso da grande cantora Marian Anderson, cognominada “o rouxinol negro”. A Senhora Roosevelt tem sido, como seu marido, uma campeã dos direitos dos negros americanos.

[Texto integral]

Domingo policial movimentado

8 outubro 1940

1

Domingo policial movimentado

A Liberdade em movimento
Repetam-se os sururús
João da Noite brigou de dia e fugiu

Conhecido desordeiro da zona da Estrada da Liberdade, bairro este que ultimamente vem figurando com insistancia no cartaz policial dos jornais, João da Noite, pouco depois de 18 horas de hontem, agrediu a navalha a Anselmo Gomes dos Santos, de 28 annos de idade, panificador, morador a Estrada da Liberdade, n°33.

A scena de sangue tive logar na Baixa do Dique, sendo que o ferido foi imediatamente transportado para a Assistancia Publica, emquanto o desordeiro evadiu.

Anselmo recebeu ferimentos inciso nas regiões : glutea no seu angulo supero-externo, interessando até o musculo, parde anterior do abdomen (região umbilical) lisando apenas a epidermia, e na face externa do dedo médio direto.

BRIGA NA FEIRA DO CORTUME

Compras que são feitas á vintem

8 outubro 1940

1

Compras que são feitas á vintem

[…] peixe de primeira 1$500 o kilo

[queixas contra os augmentos du custo da vida, especialmente da carne verde]

Passarão cinco meses estudando o negro da Bahia

9 outubro 1940, p. 3

Passarão cinco meses estudando o negro da Bahia

...

Chegaram hontem os professores “yankees” Lorenzo Turner e Edward Frazer

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Os professores “yankees” apos o desembarque

No vapor norte-americano “Mormacyork”, que chegou ao porto pouco depois das 13 horas e 30 minutos de hontem, só atracando, em virtude, ao que nos disseram, do trabalho lento do pratico, ás 15 horas, chegaram á Bahia, conforme antecipamos, os professores norte-ameriacnos Lorenzo Dow Turner e Edward Franklin Frazer, que vêm estudar na Bahia a evolução do negro brasileiro.

DEMORARÃO 5 MESES

Palestrando com o nosso representante, ainda a bordo, os dois famosos scientistas “yankees”, que se demorarão na Bahia cerca de 5 mezes, accenturaram o prazer com que visitam nossa capital, que conhecem por intermedio de revistas e livros. Na Bahia, informaram-nos, sem se afastarem para o interior, buscarão colher observações curiosas a respeito dos costumes, da lingua e das tradições das populações negras, cuja evolução difere da do homem preto da America.

QUASI VAE O CA'ES!

O “Mormacyork”, dizem uns que por estar muito carregado, allegam outros que por causa do pratico, quasi arrebenta com o caes do 7º Armazem, onde atracou. Impellido com velocidade excessiva, o vapor chocou-se de encontro com o caes, envergando a chapa da pôpa, numa profundidade de quasi 1 metro.

O conserto será feito na Bahia, provisoriamente, fechando-se o rombo a cimento armado.

Tomará o barco “yankee” na Bahia cerca de 15.000 volumes, constituidos de cacau, pelles e carcé, todos destinados á America do Norte, para onde deverá zarpar possivelmente amanhã.

[Texto integral]eb401009.png.

Radiomania

10 outubro 1940 – p. 4. “Radiomania” deplora a partida dos melhores elementos da radio bahiana para o sudeste do país.

14 outubro 1940 – p. 4.

Radiomania


Bob Silva, um dos bons elementos que atualmente integra o “cast” da PRA-4

Definitavamente o Moraes está de parabens. “Missangas sonoras” o programma que idealizou e apresentou … o popular maestro deu uma demostração …

Já se murmura que Bob Silva não renovará os seu contrato com a Radio Sociedade, cuja prazo expira a 30 deste mez. Preferiamos fosse essa noticia um rebate falso. Infelizmente, porém, ella está quasi confirmada. Proficional do microfone, Bob não se mostra muito satisfeito e com razão — com as compensações que lhe foram offerecidas. Sente-se meio constrangido não notar corôado de exito o seu esforço. Porque si existe na Bahia um cantor que reserve o maximo de interesse pela carreira abraçada, este será Bob Silva. Interprete magnifico de canções typicamente bahiannas, valoroso elemento que integra o grupo de artistas da nossa pê-érre, a emissora do Passeio Publico terá de perde-lo, com prejuizo proprio. E no entanto o Bob não deveria fugir ás cogitações da PRA 4. Será mais um bahiano a emigrar para o sul, porque na sua terra não lhe deram merecido apoio…

17 outubro 1940 – p. 4.

Radiomania

Dorival Caymmi [integra a] Radio Nacional.

18 outubro 1940 – p. 4. “Radiomania”

Radiomania

ELADYR PORTO ESTREARA' SEGUNDA-FEIRA NA P R.A. 4


ELADYR PORTO

Não há negar, a emissora do Passeio Publico vem procurando dia a dia apresentar ao seu microphone, authenticos valores radiophonicos. …

Eladyr Porto, “a graça e a alma do samba”, já teve opportunidade de, na Bahia, demostrar os seus excellentes dotes como interprete da musica popular. As suas exhibições alcançaram justo successo. Voz calorosa, rythmada e cheia de brasilidade, Eladyr Porto, estrela dos ares da “Nacional”, vem agora se inspirar neste ambiente bahiano, mixto de devoção e alegria. Quiz conhecer a prêta do acarajé, provou os pontos mais pittorescos da nossa famosa “urbs’ e descobriu um encanto particular na Baixa dos Sapateiros.

A sua estréa na Radio Sociedade está definitivamente marcada para segunda-feira. Os ouvintes que liguem os seus apparelhos ás 9,30, quando o Castilho annunciará a festejada sambista, com todos …

No programa 'Noites Tropicaes' de sabbado ultimo, no Clube Comercial, a querida interprete da musica popular cantou para os fans baianos. …

A estreia definitiva de Eladyr Porto na pê-erre local devrá ser depois de amanhã, sabbado, quando a graciosa morena iniciará uma série de audições.

eb401019.png.

Getúlio Vargas visita Bahia

20 outubro 1940

A Santa de Coqueiros

22 outubro 1940

A Santa de Coqueiros é do Samba e usa rouge

por Edmar Morel, enviado do Diário da Noite á Minas Geraes.

Falsa mendinga

24 outubro 1940 – p. 2.

falsa mendiga detida pela Delegacia dos Usos e Costumes. [foto] Maria Ignacia de Jesus, 38 anos, fazia uma media de 60$000 diários, e era proprietário de uma casa em Brotas com pequena roça.

Aumento dos preços

25 outubro 1940 – p. 2.

Aumento dos preços: 25$000/arroba carne de boi em pé, aumenta para 29$000. Será aumentado o preço da farinha, regulamentado, à pedido dos negociantes, passando de 46$000 a 53$000 por sacco.

Dadá, mulher de Corisco

29 outubro 1940 – p. 3.

entrevista, com foto, de Dadá, mulher de Corisco.

O film não alterará as linhas mestras do romance

30 outubro 1940.

O film não alterará
AS LINHAS MESTRAS DO ROMANCE

Fala-nos Jorge Amado sobre “Mar Morto”, que será filmado em parte na Bahia
A scena da capoeira será logo posta em fóco

'Mar Morto', o grande romance de Jorge Amado, conforme já tivemos opportunidade de escrever, vae ser filmado. e na Bahia, onde se passa toda a movimentação da obra do brilhante escriptor patricio, serão feitas varias scenas de coisas tipicas nossas, que fornecerão um fundo ideal para a pellicula em preparativos. Hontem Jorge Amado desembarcou em nossa capital em companha de alguns technicos cinematograficos, e os trabalhos preliminares da fimagem serão iniciados em pouco.

O ROMANCE NÃO SERA' ALTERADO

Jorge Amado esteve hontem á tarde em companhia de seus companheiros na redacção do ESTADO DA BAHIA, demorando-se em palestra agradavel. Foi assim que ouvimos do autor de 'Jubiabá' que a adaptação cinematographica ao seu romance não lhe alterará as linhas mestras, que conservação sua originalidade. Haverá, esta claro, pequenas modificações, mas que nada terão a ver com o drama em si. Jorge Amado disse-nos que o film será dirigido por Leo Manteu, assistido por Aquilino Mendes e Fernando de Barros, além do controle pessoal do autor do livro.

A SCENA DA CAPOEIRA

Uma das primeira scenas a ser filmada na Bahia será a da luta de capoeira, cujas caracteristicas regionaes e aspectos typicamente bahianos serão apanhados com todas as minucias. Jorge Amado affirmou-nos que espera grandes resultados da realização de parte do film nesta cidade, cujas possibilidades photogenicas são realmente admiraveis

UM SAMBA NOTAVEL DE DORIBAL CAYMMI

'Mar Morto', cujo protagonista será Roberto Acacio, que se revelou em 'Pureza', contará ainda, como figura feminina mais importante, a artista Sonia Oiticica, de meritos indiscutiveis. Haverá ainda outros valores no film e preparo. Sylvio Caldas estará em campo, devendo cantar varios numeros de seu grande repertorio, sendo possivel ainda a participação de Dorival Caymmi num samba que se annuncia notavel.

E Jorge Amado se despediu, prometendo-nos informações mais concretas para breve.

[Texto integral] – a ficha na Fundação Jorge Amado tem a menção manuscrita “O filme não foi concluido” v. Também artigos do Diario de Noticias, 6 novembro 1940] EB_30out40.jpg.

Boa vizinhança

1 novembro 1940

Propaganda comercial A frota da boa visinhança. Navios esperados.

Radiomania

5 novembro 1940

Radiomania

Um recital de Lourdes Cardoso na A.E.C.


Lourdes Cardoso

Eis uma noticia não muito agradavel para os “fans bahianos: Lourdes Cardoso, a encantadora e vibrante “voz da cidade”, pretende ir ao Rio, em Janeiro proximo. E se dizemos noticia desagradavel é porque nossa sambista, …

… Eduardo Perez voltou ao microfone da Radio Sociedade, domingo último. Já completemente restabelecido e com um conjunto mais numerosos. Apresentou numeros de musicas regionaes entre as quaes 2 composições de Fernando Pedreira. Ao tempo em que registramos com satisfação a “reentrée” do festejado cantor, não fugimos, tambem, á observação de que falta ao seu conjunto — assim nos pareceu uma certa segurança de rithmo, além de uma dispersão de vozes, positivamente de mau effeito. O Eduardo certamente corrigirá taes inconveniências harmonicas.

Suzana Toledo … está … no programma … da Radio Guanabara …

O regional de Liberato Lima …

12 novembro 1940

Radiomania

Nathercio Bastos … na Radio Sociedade

Artistas do nosso “broadcasting” — José Gonzalez, Eladir Porto — abrilhantarão a festa …

Noticias auspiciosas temos a transmittir aos ouvintes bahianos: Bob Silva renovará seu contracto com a PRA 4. O jovem e festejado compositor conterraneo permanecerá assim, mais alguns mezes em nosso meio.

13 novembro 1940 -- De pé, a tradição

De pé, a tradição!

AS BARRACAS SERÃO ARMADAS NA CONCEIÇÃO DA PRAIA -- UM SUSTO -- O MOTIVO -- INTERFERENCIA DO SR. NEVES ROCHA -- ULTIMO ANNO

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A “bahiana” cosinha ali mesmo o vatapá gostoso e o caruru guento e succulento...

Das festas de fim de anno, a de Conceição da Praia, sempre foi das mais concorridas. A tradiçã e o desejo de horas agradaveis conduzem o bahiano até lá. Após a cerimonia religiosa a turma cái direito na brincadeira. E não falta a capoeira onde os “turunas” desenvolvem os golpes de estylo ao som do berimbau.

Nas barracas ornamentadas a capricho, as creoulas de bata rendada e torso de sêda, vendem aos “Yóyós os quitutes gostosos. Vatapá, efó, caruru' abar´, aracagé, moqueca de peixe e a cosinha africana, todinha ali presente, a deixar com olhos de magoa e “bocca cheia d'agua” os que não possuem estomago em bom estado.

As fructas da época tambem ali estão. E' a melancia alcança um bom preço. Cajús, abacaxis e mangas completam o sortimento.

UM SUSTO

Este anno, o bahiano levou um susto damnado. Passou pela Conceição e viu todo rodeado de muro. Lamentou-se que nesse anno não pudesse divertir-se lá. E apellou para os jornaes afim que fosse advogada a sua justa causa. Num tempo destes, com o espírito saturado de noticias de guerra, de tanta tristeza, a suppressão de uma festa popular seria desagradavel.

O MOTIVO

E' sabido que as barracas sempre foram armadas em terrenos pertencentes á Marinha e ao commendador Martins Catharino. No da Marinha, vae ser construida uma bela praça de esportes, por isso foi levantado muro em torno delle. As outras áreas tambem soffreram essa mesma modificação. O sr. Catharino, promptamente collocou á disposição da igreja da Conceição da Praia, as áreas de sua propriedade, para que o aluguel das mesmas, durante os festejos, revertesse em beneficio daquelle templo. Todavia restava autorização da Prefeitura, pois sendo o passeio destinado aos pedestres, no mesmo as barracas não poderiam ser armadas.

INTERFERE O PREFEITO

O sr. Neves da Rocha achou justo que o povo não fosse privado desse divertimento. Por isso, officiou ao capitão Mario Hoffmann, commandante da Escola de Aprendizes Marinheiros, solicitando-lhe permissão para que as barracas fossem armadas na área da Marinha. O capitão Hoffmann cedeu gentilmente ao pedido do Chefe da Communa. Assim a festa não perderá o seu brilho.

ULTIMO ANNO

Todavia, tudo leva a crer que no anno vindouro as barracas desapparecerão. Isso por que lá a elegante praça de esporte já estará construida. Assim, passado o susto deste anno, surgem as apprehensões pelo que ainda vêm.

[Texto integral] eb401113.png

Roosevelt e o general negro

16 novembro 1940

ROOSEVELT E O GENERAL NEGRO

O observador de superficie não teria, certo, se deixado impressionar com o facto da recente promoção de um soldado de raça negra as honras de general do exercito norte-americano, o coronel Benjamin Oliver Davis, o que jámais registraram os annaes militares dos Estados Unidos, senão pela face propriamente peculiar á profunda separação, que ali caracterisa o problema racial, agitado, sempre, por questões emocionantes. A quantos, entretanto, estudam os acontecimentos na sua razão politica, aspecto essencial por que se devem encarar e fixar os effeitos da alta administração nacional, o telegrama da agencia Reuter, disseminando pelo mundo o gesto democratico do authentico republico por cuja victoria a terra yankee timbrou em esmagar a critica trombitante da decadencia do regimen do povo; exaltou a confiança em que seu valor, de Roosevelt, não é uma creação de delirio partidario. E' quintessencial, personalissimo!

Sem deixar de considerar na importancia militar da promoção do general negro, justamente no momento em que a sua patria reage (...)

A.P.

G.al Benjamin Davis« Roosevelt e o general negro » assinado A.P.: as iniciais certamente não significam Associated Press. "Negro" é para olhar afetado pela patologia norte-americana, como bem disse E. Franklin Frazier – v. foto a direita (fonte internet)

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Radiomania

20 novembro 1940

« Radiomania – Rythmo unico ». Crítica qualidade dos programas Radio Sociedade e garganta — metralhadora do Bernardes, e a voz de Ubaldo, locutores da Radio Sociedade .

Eduardo Perez atuou domingoás 13,30 horas no micro da PRA-4. Tem agradado de modo geral o seu conjunto a não ser uma voz feminina meia impertinente, que o publico nota, a destoar a harmonia do grupo vocal. O Eduardo pode corrigir o defeito.

Festa da Conceição

9 dezembro 1940

Artigo sobre a festa de Conceição da Praia, foto, verbiagem

Radiomania

17 dezembro 1940

Irradiando graça e gentileza, Eladyr Porto (…) a sambista carioca (…) essa morena, que soube se benzer no Bonfim e pisou familiarmente na Baixa dos Sapateiros (…) compreensão pelas coisas da “bôa terra” — a sua musica, os aspectos typicos, a mystica do rythmo. Eladyr preferiu, então, deixar o vae-e-vem inutil do “footing” da rua Chile e foi sondar a alma sentimental da população negra da cidade do Salvador, cuja contribuição á musica popular nacional é verdadeiramente inestimavel, mesmo que isto queiram desconhecer os derrotistas de toda especie. A morena brejeira visitou um candomblé, cantou e sambou com as “filhas de santo”, inspirou-se para novas composições e ganhou uma “bahiana” de presente. Podem não ter acolhido com sympathias esse gesto da cantora, alguns falsos entendedores da nossa formação musical. Mas a aproximação de Eladyr com as fontes legitimas do nosso rithmo syncopado, constituiu-se numa prova de quanto ella quiz, mais do que nunca, amar a Bahia.

(…)

Bob Silva (…) ás 11,30 aos domingos em um programa especial.

(…)

RADIOFAN

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O IMPARCIAL

O aniversário da L.B.C.A.

1 outubro 1940

O aniversário da L.B.C.A., ontem

Liga Bahiana contra o Analfabetismo … Major Cosme de Farias.

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Encontrando pouco material de interesse pulo até abril 1941. Comprado pelo c.el Franklin de Albuquerque, o jornal deixa de parecer do 11 ao 18 abril. O primeiro número da nova orientação, dia 19 de Abril, é consagrado a Getúlio Vargas em razão do seu aniversário. A cobertura da guerra na Europa doravante simpatiza com os ingleses.

Movimento artístico

14 maio 1941

Movimento artístico

… Julio Moreno 'a voz boemia da cidade', como era conhecido, deixou-nos para atuar em São Paulo.

Visto até 18 maio.

Diário de Notícias

Matutino dos “Diários Associados” – outubro 1940 – março 1941.

Chegam Frazier e Turner

4a. feira 9 out 1940 [Chegaram no dia 8.]

Expressões Lidimas
Da Cultura Norte-Americana

Chegaram á Bahia os dois illustres professores negros que vêem realizando estudos no Brasil

Os Drs. Frazier e E Furner Ouvidos Pela Nossa Reportagem


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Os professores americanos no desembarque.

Pelo “Mormacyork” entrado á 15,30 de hontem, chegaram á Bahia os eminentes professores norte-americanos drs Franklin Frazier e Lorenzo Turner, que estão realizando importantes estudos sociologicos em nosso Pais, sobre a familia negra.

O dr. Franklin Frazier, cathedradito da “Howard University” e o dr. Lorenzo Turner, chefe do Departamento de Linguistica da Fish University, pretendem demorar-se, entre nós, cerca de tres ou quatro mezes, e incluem, entre seus estudos, pesquizas sobre a influencia africana nas Americas, tendo conseguindo, já, copioso material, com enorme cabeçal de observações.

Influenciados pelos excellentes resultados obtidos pelo dr. Donald Pierson …

“ESPERO GOSTAR MUITO DA BAHIA” — — —

Abordado pela nossa reportagem, o dr. Franklin Frazier, em companhia de Mrs. Frazier, declarou-nos estar satisfeitissimo com o que tem visto, no Brasil …

— Que nos diz sobre o homem de côr, em Norte-America ?

— A situaçao do negro americano …

A INFLUENCIA DO NEGRO, NO IDIOMA NACIONAL — — — — — —

Em palestra com o dr. Lorenzo Turner, outro eminente scientista, …

— Procuro observar, cuidadosamente, a influencia do negro, no idioma nacional, pois, como é sabido, mutos vocabulos soffrem transformações, a pouco e pouco, já na pronuncia, já na graphia, e, com a continuidade, tornam-se diferentes. Há palavras que se pronunciam, diferentemente, em diversas regiões, e eu já consegui a gravação de innumeras, no Brasil, dispondo, para isso, de moderna apparelhagem. Acredite que estamos surpreendidos com os resultados dos nossos estudos, neste Paiz. — finalizou o nosso entrevistado.

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A Nossa Literatura Popular

Sá. 19 out 1940

Três colunas em página 1, com foto do Mercado Modelo. O autor é nitidamente germanofilo.

A Nossa Literatura Popular

De permeio com a garoupa e o feijão, vende-se tambem, poesia a varejo

Trovas Sertanejas -- Lampeão e a Mitologia Nacional -- Uma Livraria Um Tanto Exotica

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MERCADO MODELO

Os Millentos de antiquados que passam, as inuteis existencias a espancar o pó millenario dos amarelados manuscriptos e inscripções de finados povos, dizem ser o “folk-lore” uma das mais crystalinas fontes … As lendas másculas da mithologia germanica, …

As novellas americanas dos “gangsters” glorificados … os contos sinistros, agoureiros, com o céo nublado, eternamente plumbeo da Albion … Ahi, temos, por conseguinte, reflectidas, gravadas mesmo, na literatura popular britannica os caracteres supersticiosos idiotizados daquela gente.

AS TROVAS SERTANEJAS

Aqui, em nossas plagas, temos a distinguir, nas manifestações intimas da plebe inculta dois campos fronteiriços, visivelmente demarcados – a cidade e o sertão. Aquellas, bafejadas pelo sôpro, não poucas vezes, fetidos, de costumes alheios importados …

CAMPEÃO, — UMA FIGURA MITHOLOGICA

… nascem os folhetins de 500 réis …

Os poetas fallidos … Lampeão … sua figura grotesca de caboclo analfabeto, …

…as “epopéas” fabricadas, atualmente…

MERCADO MODELO — A ORIGINAL LIVRARIA

O Mercado Modelo, além de abrigar as mais pitorescas bugigangas …

Aquele delicioso episodio ca Casa Mal Assombrada, do kagado affavel, que levantou vôo, em perigosas acrobacias, numa casa da didade, provocando “medidas drasticas” da policia, não fugiu á cata afanosa dos versejadores fallidos. E, em desgraiosas piadas, appareceu, logo, o folheto, cantando o famoso personagem da Rua do Lapa…

E assim por diante. Em rebentos …

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Radio

Sá. 19 out 1940

Protesta contra a afobação de certos locutores de rádio.

PRESSA INJUSTIFICAVEL

Mr. Dial

NOVAS. . . E ANTIGAS

… “embolador” pernambucano, João Tuana, …

Sílvio Caldas continua cantando, na Mayrink, as composições de José Judice, uma nova revelação bahiana. Um dos motivos de agrado é, justamente, não lançar mão o jovem compositor dos vocabulos banaes, como “orgia” “amô”, “acarajé”, e outros, muito usados pelos imbecis que pullulam por ahi.


Sílvio Caldas

A sensação do momento radiophonico da Bahia é Eladyr Porto …

Aggressão a canivete

Sá. 19 out 1940

Caso de policia. Bairros: Silva Jardim: Taboão; 3 de Maio, Largo S. Miguel: Baixa dos Sapateiros.

Foi theatro de barbara aggressão, hontem, a noite, o Largo de São Miguel.

Empenhado numa partida de bilhar, em uma casa, á rua 3 de Maio, Zesito de tal e um outro individuo travaram forte discussão, da qual resultou irem ás vias de facto.

Wilson Araujo Pinho, solteiro, com 19 anos de idade, residente á rua Silva Jardim, que assistia á scena, interveio, conseguindo separar os contendores, com que não se conformou Zezito, que, armado de um canivete, foi esperá-lo no Largo de São Miguel e, encontrando-se com Wilson, aggrediu-o, ferindo-o e fugindo, em seguida.

Dirigindo-se para o Prompto Soccorro, foi Wilson medicado pelo dr. Arthur Imbassary. Sua ficha apresentava os seguintes ferimentos: inciso no nivel da pirocride nasal, da região masoterina do hipocondeio, todos á esquerda da linha mediana.

O guarda civil nº112; de serviço no Prompto Soccorro, fez transportar a victima para a Delegacia da 1ª onde o commissarion dr. Edgard Santos tomou a necessaria providencia, no sentido de prender o aggressor.

[texto integral]

Por causa de Jorge Amado

5a. feira, 1 novembro 1940

Por causa de Jorge Amado

por Wilson Lins

A futilidade humana não tem limites. … …

… Somos dos que vivem agarrados aos cós de Jorge Amado. … nosso contato com Lafayette Spinola e Arthur de Salles é muito mais frequente …

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Reeleição de Roosevelt.

6 novembro 1940

Jorge Amado roda filme.

6 novembro 1940

Prompto ... róde ... Corte

E Filmam-se Scenas Naturaes de “Mar Morto”
O Applaudido Romance de Jorge Amado
Que Será transportado Para a Téla, Numa Realização Notavel
De imagem e de som

Como Vimos, De Perto,
A Filmagem da Scena Do “Presente de Yemanjá”

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AO ALTO – A “camera” em acção e Jorge Amado quando nos mostrava o ponto na filmagem. EM BAIXO – Aspectos colhidos a bordo dos saveiros, vendo-se Aquilino Mendes, Leo Martin, Jorge Amado, Ruy Santos e o redator do DIARIO DE NOTICIAS.

O cinema brasileiro esteve, até ha pouco, na sua phase critica, por isso que de iniciação em um ambiente de descrença, de ignorancia, mesmo. Mas, compensando todas as adversidades arranjadas pelos homens, a Natureza deu ao Brasil ambiente de rarissima belleza, maravilhosamente encantador, scenarios naturaes extasiantes, de norte ao sul. E dos cueiros, dos primeiros vagidos, o cinema brasileiro passo para a sua phase de adolescencia. Vae crescendo, tomando vulto, melhorando, sensivelmente.

Os filmes nacionaes, ultimamente sahidos dos “studios”, já são algo de elogiavel em imagem e som. Outros estão em preparo, promettendo successos. Dentre os porvindoiros, um annuncia-se realmente marcante. E' o celluloide que transportará para a téla o applaudido romance “Mar Morto” typicamente bahiano, obra de valor do festejado romancista que todo o Brasil admira – Jorge Amado.

COMO TEM INICIO UM “BATE-PAPO”

Encontra-se Jorge Amado entre nós, em companhia de outros elementos de destaque, obtendo scenas genuinamente bahianas, realizando o que se chama “localização de filmagem” de “Mar Morto”.

Comprehendendo o quanto de interessante haveria numa reportagem sobre o assumpto, procuramos realiza-la. E, hontem, manhã cêdo, já estavamos no hotel, a procura delles para uma rapida entrevista, que terminou na reportagem desejada.

Cansado do trabalho arduo dos dias anteriores, o pessoal ainda estava dormindo. Fomos, pois, acordar, primeiramente, Jorge Amado. E, de logo, motivada pela expansividade e pela simplicidade proprias da gente de jornal, estabeleceu-se uma atmosphera de camaradagem franca, entre nós e o felis autor de “Capitães de Areia”.

Jorge Amado, que aqui se encontra, no grupo, como diretor-artistico da filmagem, foi nos apresentando os outros:

– Confrade velho, este é o Leo Martin, o diretor da producção, aqui, o Aquilino Mendes, o technico-operator; e este é Ruy Santos, o operador-assistente.

E, assim, estavámos a vontade com o distinto pessoal que, emquanto se aprestava para “começar o dia” rodando filme, pois ia ser colhida, no mar, a scena do pittoresco presente de “Yemanja”, nos respondia ás perguntas.

Foi Leo Martins quem deu inicio á palestra:

– Espero e creio poder dar, com o filme “Mar Morto”, uma visão de todo o heroismo e de toda a belleza da vida da gente do mar das pequenas embarcações. Felismente, estou cercado de uma equipe de technicos competentes e disponho de um “cast” de valor, no qual aparecem como o principal personagem masculino, Roberto Accaio, um galã de largos recursos que se revelou em “Pureza”, e Sonia Oiticica, a primeira figura feminina do romance.

Estamos fazendo a localização da filmagem, colhendo scenas naturaes e temos sido felizes, se bem que, no tres ultimos dias, o máu tempo nos deixasse em difficultades.

Já “rodaram’ muito filme ?

Cerca de mil metros, até hontem. Quero dar ao cinema nacional mais um filme de que elle se poderá orgulhar, em technica e arte.

Durará muito a filmagem ?

Espero que dura cerca de tres meses. Voltamos ao Rio sabbado, talvez, e, dentro de um mez, aqui estaremos, outra vez, então, com mais gente, artistas e aparelhagem para novas scenas. “Mar Morto” será uma pellicula que mostrará as possibilidades, já innumeras, do cinema brasileiro. Além disso, não terá fim comercial, e sim artistico.

AMBIENTE INSUPERAVEL EM BELLEZA E PITTORESCO

Deixamos Leo Martin saborear o seu café e abordamos Jorge Amado.

-- Sou, como vocês sabem, diretor artistico de “Mar Morto”. Acompanho a filmagem para que, melhor ainda, se observem as scenas do romance. Sinto-me satisfeito, pois “Mar Morto” será o primeiro celluloide brasileiro que tem por scenario a Bahia. E, por isso, ha de ser uma joia de belleza e arte, neste ambiente insuperavel.

-- Vocês tem conseguido effeitos sonoros ?

-- Alguns, por emquanto. Ainda é cêdo, pois a filmagem começou agora. Quero salientar, porém, que conseguimos esses, entre os quais ums sobre capoeira, por gentileza dos professores norte-americanos Lorenzo Turner e Frazier, que dispõem de excellente material para isso, e aqui estão estudando o problema social do negro, no Brasil. Elles nos offereceram possibilidades para magnifica gravação de som.

Deixamos Jorge Amado. Passamos ao technico-operador, Aquilino Mendes.

– Então, como vae a “festa” ?

Muito bem. A Bahia offerece os mais lindos scenarios naturaes que se podem desejar ! Jamais vi coisa igual ! Ha de tudo junto: “nuances” maravilhosas pretas, cinzas, brancos, coisa magnifica !

UM CARTAZ DE VICTORIAS

– Hontem rodamos mais 400 metros. Aproveitamos scenas de chuva, para o final. A's vezes encontramos dificuldades, por parte de pessoas que não estão bem ao par do que seja o cinema nacional. Mas, os resultados são excellentes e compensam alguns dissabores.

– Você já fez outro filme aqui ?

– Já. “Pureza” eu filmei. E, em Portugal, fiz, “Aldeia da Casa Mourisca”, “Canção de Terra” e outros.

– E' certo que os direitos de “Mar Morto” pertenciam a Carmen Santos.

– E'. Ha cerca de um anno ella os adquiriu do Jorge Amado. Mas, devido ao seu estado de saude e à filmagem trabalhosa e demorada de “Inconfidencia Mineira”, cedeu-nos, gentil e legalmente.

A conversa foi interrompida. Chegará o carro. Pegámos, ainda, o Ruy Santos, que nos disse:

– Fui o assistente-operador de “Pureza” e, agora, sou o de “Mar Morto”, filme que concorrerá para a definitiva compreensã de um cinema novo no Brasil, um cinema de vanguarda. Collagoro, com a maior satisfa&ccedi;ão, na realização cinematographica desta obra de um grande escriptor nacional, que é Jorge Amado.

HORAS DE LABUTA PARA MINUTOS DE PROJECÇÃO

Apparelhos promptos, rumamos, todos para os cáes do porto. Iamos assistir, de perto, a filmagem de uma scena – a festa dos homens do mar, que culmina com a entrega do presente a “Yemanjá”, a mãe d'agua.

Elles deviam filma-la no dia 2, na Gamelleira, Itaparica mas a chuva não permitiu, pelo que foi necessaria a “montagem” de um presente, que é uma das expressões mais lidimas do culto dos pescadores á divinidade que elles mais respeitam na sua crença fervorosa.

Quem assiste a um filme não póde imaginar o trabalho que dá a obtençã de uma ligeira scena! Nós o vimos. Alli, no cáes Cayru', era enorme a afazama. O vozerios dos pescadores, com os seus saveiros enfeitados, misturava-se com o ruido suave dos remos n'agua, em manobras.

Eram mais de vinte saveiros, “em fórma”, para as scenas.

O enthusiasmo de Aquilino Mendes transbordou, ao contemplar o panorama da Bahia de Todos os Santos. O espelho azul das aguas quietas transportando para o meio daquellas pittorescas embarcações lindos flócos de nuvens brancas: a cidade, lá no alto, com o casario dourado pelo sól da manhã primaveril, deixavam-no soltar exclamações. E elle disse:

– Quando por aqui passei, e que vi toda essa beleza sem par, tive um enorme desejo de fazer pelo menos um filme aqui. Agora, estou radiante de alegria.

UM LIGEIRO CONTRATEMPO

Emquanto Jorge Amado acertava as posições dos saveiros com o pessoal, os outros preparavam-se para a filmagem. Uma scena curta e tanto trabalho ! Leo Martin prescrutava o horizonte, temeroso de uma surpresa da chuva. Todavia, não foi por isso que a filmagem da entrega do presente a “Yemanjá”, uma das partes interessantes do romance do autor de “Suor”, deixou de ser feita pela manhã, prejudicando outros serviços. A Capitania dos Portos queria uma ordem, escripta, do sr. Secretario da Segurança Publica, o que foi conseguido, sem obstaculos.

E Aquilino Mendes, jovial optimista como poucos temos visto, apenas sorria.

– Calma. Filmaremos bem, á tarde.

Os saveiristas impacientaram-se. Mas resolveu-se tomar as scenas á tarde.

MOMENTOS RAROS PARA OS OLHOS E A ALMA

Eram duas horas quando, num espectaculo encantador, os saveiros de vela alvissimas, compondo uma pequena esquadra de heroes tão valorosos como das grandes armadas, singrava as aguas azues da bahia, deixando um rastro de espumas alvinitentes. Os reflexos esplendorosos do sól davam um colorido lindo ao quadro. A brisa suave da tarde calma acariciava-nos os rostos e o enxame de velas brancas, deslisando sobre o mar muito azul, corria, celere, ao sôpro do nordeste. A “camera” devorava, avida, a paysagem soberba. Não menos vorazes eram os nossos olhos; diante do panorama que era um balzamos para o nossos espíritos attribulado dos tempos atuaes.

Depois, foi realizada a entrega do presente a Yemanjá. Era o climax da filmagem. Linda scena regional que o celluloide mostrará pela primeira vez, no “écran” brasileiro. E a melodia risonha de um lyrismo sem par, que Dorival Caymi soube sentir e interpretar, parecia chegar-nos aos ouvidos, trazida, de muito longe, pela viração subtil que nos affegava os cabellos:

Ô, Yemanjá, Yemanjá, eh, ah
Yemanjá, eh, ah …

Havia, realmente, uma festa no coração de cada um daquelles homens que desafiam o mar.

Terminadas aquellas scenas, colheram-se outras, de capoeiragem, em Agua de Meninos. Outro trecho notavel do romance de Jorge Amado. Dois mestres verdadeiros da luta brasileirissima empenharam-se, deante da “camera”, em luta real, empolgante. Tudo natural.

Era tardinha, já, e o sol naufragava num oceano de ouro, quando findou o trabalho de hontem.

Esmaeciam os ultimos tons violaceos do crepusculo…

E asssim, vimos de perto, como foram feitas algumas scenas locaes de “Mar Morto”, que, tudo está a indicar, será um marco na cinematographia nacional.

Leo Martin. Autor de Vamos Cantar, Panamérica, 1940.

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Carmen Miranda.

21 novembro 1940

Com foto.

Mucambos e Espeluncas

23 novembro 1940

… O nosso povo nordestino e mesmo o proletariado desta capital reside em mucambos de todos os typos, sendo o mais comum, o predominante, aquelle em que entra a taipa para a construcção das paredes e o tecto de palha, folhas de flandres, ou mesmo capim.

… varias zonas … hygiene

A pobreza procura um refugio …

… um problema de governo …

Além dos mucambos typo classico, na Bahia existem as “cafuás”, …

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Sinclair Lewis virá passar um ano no Brasil

26 novembro 1940

Guerra Sem Quartel ao Banditismo

Sabado, 29 novembro 1940

Guerra Sem Quartel ao Banditismo

Seguiram para Geremoabo Um Pelotão Da Policia e Um Grupo da Policia Especial!

… …

dn401129.jpg ;  PICT0701.jpg.

Livros novos

30 novembro 1940

O Rio São Francisco


Wilson Lins

O romancista Wilson Lins está ultimando, com uma das maiores casas editoras do Sul do Paiz, as negociações para a publicação do seu proximo romance “Almas penadas”, que será prefaciado pelo famoso novellista do proletario, Jorge Amado, dará inicio a um cyclo de romances, intitulado “O Rio São Francisco”.

Como filho que é daquelles bandas, portanto, conhecedor do assumpto e senhor do vasto material, Wilson Lins, que já se confirmou, como romancista phantasista, em “Zaratustra me contou” está apto a nos apresentar uma coisa definitiva sobre o São Francisco.

[texto integral]

Brutal agressão na Avenida Atlântica

3 dezembro 1940

Brutal agressão na Avenida Atlântica

… victimade brutal agressão o vendedor ambulante Aldaberto Rodrigo dos Santos, preto, de 30 anos de idade.

… dois desaffectos seus, Cosme Evangelista e outro, que atende pelo nome de Silva, provocaram discussão comsigo, usando de palavras de baixo calão. Do palavreado nasceu a brutal agressão.

DOIS CONTRA UM

Ambos os desaffectos, então, puxaram de navalhas …

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O Banditismo no Nordeste

4 dezembro 1940

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formatura : Maria de Lourdes Santos

5 dezembro 1940

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MPR-4 [Radio Sociedade] abre concurso de canções de carnaval

5 dezembro 1940

a bellonave USS Louisville em Salvador

19 dezembro 1940

Entrevista do comandante, com foto.

Corta Braço

30 dezembro 1940

Pioneiros do progresso

Corta Braço, o Bairro que Surprehendeu o Reporter

Si o senhor prefeito chegasse até aqui...

foto de
 prédio novo, rosto de homem inserido cima-direito, acima de
 outra foto do mesmo prédio
Acima, modernissimo predio recentemente construido, no bairro de Cortabraço; ao fundo, lindo grupo de confortaveis casas em construcção. No angulo, o bemfeitor de Cortabraço, sr. Napoleão Lima Pereira, a cujo patriotico esforço devem-se os melhorametos alli realizados. Em baixo, outro aspecto do Cortabraço, vende-se, à esquerda, o primitivo estabelecimento do sr. Napoleão Lima Pereira.

Foi no dia de Natal, que o reporter, aproveitando as férias, aceitou o convite de um seu amigo, morador do afastado bairro de Corta Braço. Bairro humilde, moradia de gente trabalhadora, capta facilmente a sympathia do visitante, pela sua alegre situação topographica, onde os amanheceres constituem verdadeiro encanto, para os espiritos sensiveis ás emoçoes da belleza.

UM PASSEIO PELA ROÇA

Depois do almoço em casa de seu amigo, senhor Manoel A. Garrido, dedicado auxiliar da Fabrica de Cafés Atlantico, o reporter e seu amigo sahiram a dar um passeio até a rua Pero Vaz, situada no coração da chacara do sr. Francisco Velloso. Nada de particular teria este passeio, além das pittorescas paysagens, se neste logar não achassemos alguma coisa que, fiel aos sentimentos de justiça, nos fizesse meditar, no poder da “força de vontade”, poder de que somente estão dotados os espritos fortes, cujo amor á terra que teve a sorte de ve-los nascern está acima de todos os egoismos pessoaes, pois que consintem no sacrificion dos anseios proprios da juventude, em favor da cooperação ao maior engrandecimento de sua terra, neste caso, a Bahia.

UM PIONEIRO DO PROGRESSO

Essa “coisa” que nos fez deter no passeio, pela roça Velloso, foi a apparição, ante nós, de um magestoso predio, em meio as modestas casinholas da visinhança.

Aqui, a curiosidade do reporter, apontou rapido:

— Um predio destes, neste logar ?

— Sim senhor — respondeu o nosso companheiro — e continuou: — Ninguem acreditaria. Somente uma pessoa com clara visão do futuro, como é o proprietario, pôde animar-se a construir aqui esta casa, que, como o senhor vê, deu nova vida e alegria a um logar que, até pouco tempo atraz, somente offerecia tristeza e abandono.

Como demostrassemos desejo de conhecer pessoalmente o proprietario de tão magnifica obra, o senhor Garrido promptificou-se a cumprir os desejos do reporter.

FALANDO COM O SR. NAPOLEÃO LIMA PEREIRA

Qaundo em nossa presença o senhor Napoleão Lima Pereira , que assim se chama o modesto, modesto e intelligente precursor do progresso de Corta Braço, soffremos um verdadeiro desengano. Presumiamo-lo, um senhor de certa idade, rodeiado, talvez, de meia duzia de filhos; porém, foi o contrario. Um homem de apenas 32 annos, attendoe e enamorado do trabalho, nos foi apresentado.

Respondendo ás nossas perguntas, disse-nos:

— Acho-me estabelecido neste logar, de 8 para 9 annos, nessa casinha que o senhor vê ahi. Gente bôa, os moradores de Corta Braço, logo me distinguiram com sua preferencia. Como é natural, fui-me encarinhando com o logar. Ultimamente, pensei na construcção deste predio e, para que nada faltasse a uma installação moderna e confortavel, tive de comprar nove postes de ferro para a conducção de energia electrica e mais trezentos para o encanamento da agua corrente, que hoje tanto beneficio traz ás vizinhanças. O impaludismo reinava aqui, porém, com estes trabalhos que fiz e estou fazendo, diminuiu muito.

— O senhor, jovem, solteiro, trabalhador, enterrar seu dinheiro neste logar ?

Penso que todo o mundo devia fazer o mesmo, pois que é a unica maneira de que nossa cidade não progrida somente no centro. Estes bairros, precisam muitos melhoramentos, e se não ha interesse no capital particular, tampouco as autoridades municipaes podem contribuir efficazmente.

Depois de uma visita á “Casa Marden”, magnifico estabelecimento do senhor Napoleão Lima Pereira, onde comprovamos seu grande sortimento de mercadorias das melhores qualidades e hygienicas installações, que nada deixa a desejar aos mais exigentes freguez, subimos ao sobrado, residencia particular do senhor Lima Pereira, onde o conforto e o bom gosto das habitações e mobilias, dão a medida da capacidade commercial e intellectual de seu proprietario.

“SI O SENHOR PREFEITO CHEGASSE ATE' AQUI” …

Desepedimos-nos do sr. Napoleão Lima, o qual, achamos, devia ser “baptizado” com o nome de bemfeitor do local.

Logo depois cercou o reporter um grupo de visinhos que palestrava, alegremente, no largo:

— E' preciso que o senhor diga no DIARIO DE NOTICIAS quanto esta zona deve ao sr. Napoleão, que outro fosse e não empregaria seu capital neste deserto — diz o que parecia o mais velho do grupo.

— Graças a elle — continuou — desfructamos de iluminação electrica e agua encanada. Esse bello predio e as casinhas que está construindo a seguir, transformaram esse local, até pouco tempo, antro de toda qualidade de perversidades, num recanto alegre e civilizado.

— Se o senhor Prefeito viesse até aqui, — disse um terceiro — este caminho, que leva o nome de Pero Vaz, estou seguro, de que deixaria de ser caminho, para transformar-se em verdadeira rua. Não o merece o local?

Como observasse que estavamos tomando nota de suas reclamações em nossa caderneta:

— Não poderia dizer também — fala um outro — que sendo este um bairro de gentes, de que a maioria trabalha na cidade e, portanto, tem de madrugar, entre 5 e 5 e meia horas do dia, como o horario de abrir as “vendas” ás sete horas, vemo-nos privados, muitas vezes, de poder adquirir, café, pão, etc., para a refeição matinal. O mesmo acontece nos domingos, num logar como este, que bem se pode considerar fóra do raio da cidade, é quase indispensável que as “vendas” fiquem aberta todo o dia.

— Mas, o descanso dos empregados … — objectamos.

— Os empregados — atalhou nosso interlocutor — podem faltar pela semana, um, cada dia, com o que nem se prejudicaria o proprio empregado, nem tampouco o bairro.

OS MORADORES TÊM RAZÃO

O sentido patriotico e a visão da futura grandeza da Bahia, ainda não enxergada por muita gente velha, levou a este moço, que é o senhot Napoleão Lima Pereira, a “enterrar” seu dinheiro, fructo de um honrado trabalho pessoal, neste esquecido e distante bairro da cidade.

Se o digno Governador do Municipio ouvisse, como nós ouvimos, aquelle singelo, porém sincero appello, “SI O SENHOR PREFEITO CHEGASSE ATE' AQUI”, e olhasse o que nós olhamos, seguramente diria comnosco: — “Os moradores de Corta Braço têm razão” — e far-lhes-ia justiça.

[Texto integral]

Radio

3 janeiro 1941

Radio -- DESILLUSÕES, JÁ, TÃO DEPRESSA !

… …

Anno novo. Envolve-nos uma atmosphera de esperança. Na confortadeira perspectiva de melhores dias, tudo, agora, nos faz pensar em outras realizações, em uma nova e prospera éra de actividades. E, na nossa incontestavel ansia de um provis mais rasco, cada dia que succede aos que vão ficando para traz, na corrida louca pela tortuosa pasta do tempo, nos vem encontrar sempre mais desejosos do que não conseguimos obter, alimentando essa cobiça nunca sociavel que é o mais humano de todos os peccados que nos legou o pae Adão, depois de outro arranjado por Eva.

Assim é. Sempre foi. E será.

As decepções vão chegando todavia, á medido que um sól vae succedindo ao outro, na immutabilidade das eternas trancições sideraes...

Para vós, por exemplo, começam as desillusões. Ainda não é passada uma centa, das 8760 horas que preencherão este ainda muito novo 1941, e já sentimos o desapontamento que, sinceramente, não desejavamos viesse!

A nossa P R A-4 é a causa. Infelizmente, mas é... Por mais desinteressado que estivesse o seu pessoal na rehabilitação da emissora que não comporta bons artistas, não poderiamos deixar de nutrir certas esperanças.

Mas, se não vier qualquer coisa em contrario, continuaremos na certeza de que aquillo, alli, nos bastidores da emissora do Passeio Publico, não terá geito.

Quem começou 1941 ouvindo as grandes estações trasmissoras do Rio, de São Paulo, de todo o Brasil, e compara á nossa, tem a plena convicção disso.

E' lamentavel!

“MR DIAL”

OUTRA DUPLA DE VALOR

retratos

EDUARDO PEREZ,
o cantor da saudade.

FERNANDO PEDREIRA,
cujas chronicas reflectem a sua alma de poeta.

Um programa bom de PRA-4 é, sem duvida, o que, todos os domingos, ás 11 horas, apresentam Fernando Pedreira e Eduardo Perez – aquelle, com suas chronicas lyricas, plenas de emoção poetica, e o ultimo, com suas canções estilizadas, que o ouvinte aprecia com verdadeira satisfação.

Modestos ambos, sem pretenções ridicula, a cidade que sabe apreciar a verdadeira arte, ouve-os, sempre, com prazer, e nós só temos a fazer-lhe justiça.

[texto integral] dn410103.jpg

Preparação do Carnaval

14 janeiro 1941

aparecem colunas sobre a preparação do Carnaval

A América também é Nossa

17 janeiro 1941

Destaque sobre a questão racial nos Estados Unidos, título em plena p. 2., três colunas centrais de 8 em plena altura, com foto de Joe Louis no ringue.

A América também é Nossa

Clamam os negros norte-americanos… e exigem o direito de emparelhar com seus compatriotas brancos em defesa do paiz, que é delles pelos mesmo foros de conquista

por Walter White, secretário do [NAACP]. … (Condensado de “The Saturday Evening Post“

… …

Fez Annos Hontem, o C.el Franklin Albuquerque

17 janeiro 1941

retrato
C.el Franklin Albuquerque

A data de hontem assignalou a passagem do anniversario natalicion do cel. Franklin Lins de Albuquerque, cujo nome se acha vinculado a diversas iniciativas benemeritas, para a economia do Estado, e cuja acção, em favor do desenvolvimento dos sertões …

Eladyr Porto despede-se da Bahia

21 janeiro 1941

ELADYR PORTO DESPEDE-SE DA BAHIA, que lhe soube querer, ouvindo e appeciando sem cessar a encantadora interprete das canções do povo, de que os mysterios e a estranha beleza da terra do “acarajé” e das “balangandans” são, sempre, o “leit-motiv”. E Eladyr está provendo que sonha corresponder a esta admiração e a esta amizade, dando-nos o seu adeus vestida como uma bahianna authentica, para a pose acima, em que ella colloca todo o irresistivel feitiço de que é capaz.

[Texto integral]

“Encyclopedias Ambulantes”…

22 janeiro 1941

Refexos populares da guerra

“Encyclopedias Ambulantes”…

Aspectos alarmantes de culturas infusas que Marte tem provocado
Os historiadores de ultima hora – Scientistas anonymos – O conflicto europeu e a instrucção do povo

E' pranteado batido pregão de alguns rachiticos escrevinhadores, este de derramar-se, numa choradeira aparvalhada, toneladas e toneladas de tinta, em estylo pêccamente soluçante, lamentando, com reprovaveis pieguismos literarion, a oscuridão menta de individuos analphabetos, obtusos.

… …

Radio

31 janeiro 1941

NOVAS E … ANTIGAS


Sylvio Caldas

“Rosinha” é um samba que está obtendo grande sucesso … do , cantado por S. Caldas, Orlando Silva e Cyro Monteiro…

DN_31jan41.jpg ;  PICT0722.JPG.

Guerra relâmpago contra a molequeira

1 fevereiro 1941

Guerra relâmpago contra a molequeira

Reforçado o policiamento – Um problema
social – Queimadeiros e Jornaleiros – Imigra-
ção nefasta – Moleque granfinos


UM GRUPO DE “BALEIROS”

A Delegacia de Jogos e Costumes, á cuja frente está o jovem espírito que é o dr. Antonio Teixeira, vem fazendo, de algum tempo a esta parte, uma séria pressão contra a molequeira de rua. O Delegado tem, ultimamente, baixado instrucções aos seus subordinados, no sentido de repressão aos desoccupados que perambulam pelas ruas, jogando “foot-ball” ou pedras, quando não as transformam em coisa peor. Varias são as queixas que o dr. Delegado de Costumes tem recebido e, muito embora não possa attender a todas ellas, de uma só vez, tem procurado attendê-las, uma a uma, na sequecia do tempo e de acôrdo com os meios de que dispõe.

Ante-hontem, ouvimos, ligeiramente, o dr. Teixeira, e s. s. nos declarou que já começára a agir contra a molequeira, de maneira directa e precisa, para o que já havia, até, reforçado o policiamento nos logares mais frequentados pelos “capitães de areia” e “muleques de rua”.

Um problema social

O DIARIO DE NOTICIAS já se tem ocupado, algumas vezes, do assumpto. A molequeira é a escola da ociosidade e do crime. Crea, assim, um problema social importante que, se descuidado, poderá acarretar consequencias bem sérias para o Estado, que já não dispõe de estabelecimentos proprios para o numero actual de delinquentes menores.

Quemadeiros e jornaleiros

Os quemadeiros, ou baleiros, e os jornaleiros constituem um problema que, tambem, reclama solução urgente.

Immigração nefasta

E, agora, que o sr. dr. Delegado de Costumes está tomando providencias energicas, para a repressão da vagabundagem, não seria de mais que lembrassemos o problema da immigração. Mensalmente, dezenas de menores entram na cidade, procedentes do interior. Esses menores veem à procura de emprego de queimadeiros o jornaleiros. São, em pouco tempo, os nossos moleques. Assim, pois, poderia o sr. Delegado embargar a entrada de quantos mais venham. Pois, se já é dificil resolver o problema dos que aqui existem, muito mais o ser&aactue;, com engrossamento da caudal, pelos que veem de fora.

Moleques “granfinos”

Mas, o peiores de todos os moleques são os “granfinos”. Filhos de pais ricos e relacionados, são, geralmente os chefes da molequeira, nas suas zonas; os demais seguem, por imitação.

A campanha da Delegacia de costumes produzirá, decerto, os effeitos esperados.

[Texto integral] DN_01fev41.jpg

Basta de soffrimento

5 abril 1941

Denuncia a carestia dos gêneros alimentícios.

Estultos e Valentões

9 abril 1941 p. 5

Artículo incompreensível; a página é de notícias esportivas e diversas. estulto, adj. Tolo, néscio; insensato; imbecil; inepto. [Aurélio] – A imagem do pavão e da gralha é uns tantos ambígua, se referir-se a Esopo (famoso fabulista grego de estatuto escravo) ( X L III ) O pavão e a gralha – Um pavão e uma gralha discutiam sobre a supremacia de suas qualidades. O pavão vangloriava-se do brilho, das cores e do tamanho das suas penas. A gralha reconheceu tudo isso e só observou que toda aquela beleza não tinha utilidade para voar. Ela voou e deixou para trás o envergonhado pavão. Não se orgulhe de vantagens meramente superficiais. Claro também existe Le Geai paré des plumes du Pão, de La Fontaine.

Estultos e Valentões

Pena temos delles porque são inoffensivos

A noção de responsabilidade é algo serio que escapa ao conhecimento obtuso de meia duzia de homens, verdadeira nullidades em qualquer actividade em que se os busque.

Comtudo, esses estultos e vaidosos, cercados da mediocridade onde vegetam, falam em honra e moral, em dignidade e educação, esquecidos de que vivem toda uma existencia cobertos das vistosas e impressionantes penas dos Pavões Reaes.

Gralhas, de corpos desnudos, enojando e causando nauseas com os seus corpos chagados, nada mais que gralhas são. Em compensação, os que teem noção real do que seja senso das cousas, cultura e educaçã ficam do alto apreciando essas scenas jocosas e ridiculas de palhaços em picadeiros a provocar risos e gargalhadas que desopilam.

Parece que são Cicero, Mirabeau ou, nos tempos que correm, Churchill, Hitler ou Mussolini, falando frente ás massas de suas nações como seus guias e com a autoridade da responsabilidade que lhe peza os hombros.

Bobos que, além do mais, roncam no peito como si o trovão das trovoadas faça mal a quem quer que seja, a não ser ao ouvido dos que o ouvem por lhes ser espetaculo tetricamente maravilhoso relampejar.

Quando ao ronco desferirem os coriscos de seus golpes physicos, ahi, sim, tenham as suas victimas mêdos desses “valientes” que encontram sempre um apara-raios – a policia.

[Texto integral]

O Imparcial adquirido pelo C.el Franklin Albuquerque

9 abril 1941 p. 8

O Imparcial adquirido pelo C.el Franklin Albuquerque … … por 400 contos de reis (...) tomará posse no 15, o jornal sairá de novo no 19”.

Esperou 3 dias para a vingança perversa

12 abril 1941

Caso policial, distrito de Brotas, jovem, apelido, futebol, navalha.

Esperou 3 dias para a vingança perversa

Golpeou o desafeto com uma navalha

Hontem, ás 18,30, á rua Waldemar Falcão, verificou-se uma scena de sangue, quando a perversidade vingativa de um jovem golpeiou um collega de diversão com uma navalha.

POR CAUSA DE UM APELLIDO

Os appellidos, geralmente, não agradam ao appellidado. Casos, aliás, em que dão “cartazes”, como no caso dos jogadores proficionaes. E não faltarão os “Palitos”, os “Tarzans” e outros tantos nomes exoticos. Mas, fora disso, ninguem quer ter appellido, principalmente, quando este diminue a personalidade do individuo. Dahi, porque, ha uns quatro dias passado, José Clementino dos Santos teve forte altercação com Manoel Rufino Barbosa, em um campo de “foot-ball”. Este entendera que devia appellidar aquelle de … Mas José Clemente não gostou e como Manoel Rufino continuasse “chateando”, terminou José Clemente dando-lhe umas bofetadas.

A VINGANÇA COVARDE

Manoel Rufino, por ser mais fraco e não poder medir força com José, jurou vingar-se, depois da affronta sofrida.

— Em cara de homem não se bate — repetiu.

E foi em casa, onde armou-se de uma navalha, voltando a procurar o contendor. E não o encontrou, durante três dias.

Hontem, porém, encontrou-o, á referida rua. E, sacando da navalha, para o seu premeditado crime, desfechou, sem introdução nenhuma, varios golpes em José Clemente. Este, sentindo-se ferido e não podendo reagir, correu. Mas a perversidade de Manoel brotara impetuosa, em cataratas de odio e vingança. E saiu em perseguição de José Clemente, golpeando-o, ainda, pelas costas.

O crime foi levado ao conhecimento da Delegacia da 1ª C.P. onde o commisario Gama, de plantão, instauro o inquerito competente. A victima soccorreu-se na Assistencia. O aggressor está preso.

[Texto integral]

Wilson Lins

26 abril 1941

Ontem foi o aniversário de Wilson Lins, jovem escritor e jornalista, agora Redator em chefe do Imparcial, mas que estreou no Diário de Notícias.

Problema alimentar

26 abril 1941

… O problema alimentar preocupe grande parte da população baiana …

DIARIO DA BAHIA

Na BPEBa não subsiste o período do 1° de outubro ao 15 de novembro.

O que ouvimos de Eladyr Porto

16 novembro 1940 p. 5

O diario no radio

O que ouvimos de Eladyr Porto


Eladyr Porto, a nossa entrevistada

(...)

Agradecemos a delicadeza de Eladyr Porto, ofertando-nos a sua foto e apresentamos a graciosa interprete da musica popular do Brasil, os nossos parabens pelo brilho da temporada que vem realizando. (...)

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O diario no radio

20 novembro 1940 p. 5

Julio Moreno.

Cena Extra de 'Mar Morto'

22 novembro 1940

Relata filmagem das scenas do episódio do Presente a Yemanjá.

Cupido ...

23 novembro 1940

caso de sedutor e de empregada bonitinha.

Um novo Lampião

29 novembro 1940

Banditismo do ex-soldado de polícia Antonio Recruta. Getúlio Vargas visita a cruz de Canudos.

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O jiu-jitsu como é praticado no Japão

30 novembro 1940

Esportes

O jiu-jitsu como é praticado no Japão

As regras oficiais do professor Jiguro Kano

Populariza-se cada vez mais, entre nós, brasileiros, o jiu-jitsu, o tradicional esporte japonês.

Transcrito de uma revista de educação.

A tradição não morre

8 dezembro 1940 p. 8

A tradição não morre

Brilhantes as festas em louvor de N.S. Conceição da Praia – Poucas frutas – Capoeira e outros aspectos tipicos

foto igrejaA tradição bahiana não morre. Sugeita ás exigencias da evolução dos tempos, tem os seus arrefecimentos sem, contudo, desaparecer de todo. No que diz respeito ás nossas festas populares, é evidente esta imortalidade. Estamos, precisamente, no inicio da sua grande epoca. Fim de anos, principio de outro. Toda a cidade, representada por suas diversas classes, tomando parte nos festejos commemorativos da devoção a N. S. da Conceição da Praia, padroeira do Brasil e Madrinha dos Bahianos. Hoje, 8 de Dezembro, é o seu grande dia. Em frente ao seu [...] durante esses ultimos dias grande, também, tem sido a animação. Aspectos pitorescos e tipicamente regionais são observados alí. Todos, rendendo graças á excelsa Senhora, encontram motivos de lazer. E as nossas festas populares vão voltando aos seus aureos tempos. A da Conceição bem tem dado mostras seguras.

POUCAS FRUTAS

Na festa da Conceição, o ‘taboleiro da bahiana’ transbordava de frutas. Abacaxi, melancia, cajú, manga, pinha, umbú, emfim tantas outras se encontrava em profusão. Toda aquela enorme area era pequena para o numero de negociantes dos melhores produtos da nossa fruticultura. Este ano, no entanto, não ha a costumeira fartura, motivo porque tem dado margem a reparos os mais desencontrados.

BENTA FOI A PRIMEIRA

A Barraca S. Bento, que obedece á orientação da preta-velha Benta, foi a primeira a surgir nesse ano. Manipulando toda sorte de iguarias das mais apimentadas da cosinha bahiana, Benta ainda é a líder dentre suas concorrente. Mas na hora da fome os festeiros vão a toda parte. Enchem as barracas, exigem lugares nas mesas, discutem preços, enchem o “bucho” e pagam sempre.

O carurú, vatapá, efó, acarajé, abará, moquecas e frigideiras não faltam nunca na festa da Conceição.

QUERMESSE E … LADROEIRAS

Não deixa de ter seu lado interessante, pelo menos para quem as explora, as quermesses e … ladroeiras. Naquelas, verdade seja dita, ou sai ou numero premiado da caixinha de charutos ou então, espera-se que a palheta, produzindo seu ruido caracteristico, indique o numeor da sorte entre dois pregos sobre a roda de madeira pintada de branco. E o vencedor leva o premio cheio de satisfação e mais cheio ainda de olhares invejosos. Mas, dentre as barracas tida como as de “jogo de habilidade” toda sorte de ladroeira se tem observado, sendo as maiores vitimas crianças as mais inexperientes. Sobre tal fáto, não faz muito dias, em minuciosa reportagem, fizemos vêr as ladroeiras que se estão verificando.

A CAPOEIRA

Num dos cantos mais escondidos da praça em festas, 2 homens entendidos na materia, um berimbau, um pandeiro e outros homens cantando e batendo palmas ritmadas formam a capoeira. E os curiosos em torno aplaudem a habilidade daquela gente, apreciando os passes, ataques, defezas, até a cena final que, quase sempre, é burlar a vigilancia um de outro para conseguir apanhar, com a boca, uma pratilha jogada por um dos assistantes.

O “velho praça”, zeloso de suas funções, fica de olho em cima dos lutadores. Não consente que a coisa vire á vera, sob pena de proporcionar um passeio até a delegacia mais próxima.

BOA MUSICA E MUITA LUZ

Durante as noites tem sido farta a iluminação do largo e bôa musica para distrair os festeiros. No corêto, o harmonioso conjunto dos Orfãos de S. Joaquim tem sido justamente applaudido e apreciado com simpatia.

Nota-se que a fotografia, sem convergência das verticais da fachada da igreja, é trabalho de proficional de fotografia, embora cortada severamente na direita.

[texto integral]

Doutores e Sambistas

14 dezembro 1940

NOTAS SOCIAES

CRONICA

DOUTORES E SAMBISTAS

O Samba não é uma dansa: é um esgar. Não é um ritmo: é uma contorsão. E’ a coréla de certas tribus primitivas da Africa. Hei de jurar que na Colonia do Cabo já lhe cassaram, de ha muito, o direito pretenso de ser musica. No Brasil continu’a a ser musica. No Brasil e uma atitude artistica. Apezar disso, zangamo-nos quano nos pintam, em Paris ou Londres, como um terreiro onde pretas minas saracoteiam em impulsos eroticos ao tam-tam barbaro dos tambores coloniais…

BERILO NEVES

[texto integral] A rúbrica Notas sociaes tem pour outros títulos aniversarios, viajantes, formaturas, etc. Estranho a presença desta polêmica, a não ser para indicar que a referida opinião somente endereça-se a umde terminado público.

O recital de Nanci Rita

17 dezembro 1940

O recital de Nanci Rita, hoje, na A.E.C.

retrato

Conforme vem sendo largamente annuciado, deverá ter lugar, hoje, na Associação do Empregados no Comercio o recital da festejada cantora conterranea, Nanci Rita, devendo o mesmo ter inicion ás 20,30 horas.

No intuito de dar o maior brilhantismo á sua festa de arte, Nanci Rita convidou e contará com a colaboraçao dos seguintes artistas, todos bastante conhecidos do nossp publico: — Luiz Moreno, Julio Moreno, Alexandrino Rosas, Mericia Rosas, Bob Silva, Kians, Juan Campos, Wenceslau Costa e outros cujos nomes escaparam.

Desordem na Liberdade

20 dezembro 1940

Violências cometidas pela desordeira Filinha, ébria, na Liberdade.

Eladyr Porto

24 dezembro 1940

[foto igual a DB_16nov40]

Um Festival de Eladyr Porto com a colaboração da Jazz Acadêmica

… no próximo dia 30, no Teatro Jandaia, …

Como há cem annos passados!

29 dezembro 1940 p. 3

Progresso, tradiçao, transporte urbano Itapagipe. A técnica de construir não é européia. A da ilustração aparentement tem vela latina.

Como há cem annos passados!

As “canoas de passagem” são o mais antigo meio de transporte urbano — Humildes mas uteis — Vitimas de acusações — Porque não se substituem as vélas por motores?
Dificuldades para a chegada e saída dos aviões!

foto
Uma das tôscas “canôas de passagem”, repleta de passageiros

As “canôas de passagem”, aquelas frageis embarcações que transportam passageiros entre a Ribeira e Plataforma, faz muito mais de um século, não modificaram em nada, ainda, a forma como surgiram.

Toscas, frageis, humildes, são de incomparavel utilidade.

Servem, pelo menos, á população de um suburbio, cujo progresso se acentua dia a dia. Sem nenhum conforto, não podem ser esquecidas, mesmo nos dias hibernais … porque não tem concorrentes mais comodos. Quase sembre pertencentes aos seus “mestres”, ha entre estes pequenos “lobos do mar” muitos que vivem nessa faina ha mais de 50 anos. Mas, infelizmente, o progresso é inimigo da tradição. As “canôas de passagem” já podiam ser de modo diverso. Suas brancas velas, bamboleantes nos dias de calmaria e retezadas so sopro de um vento mais forte, precisam ser “feradas” uma vez por todas. Toldos deverão surgir para abrigar os passageiros. Motores, pelos meios adaptados, se incumbirão de impulsiona-las. Seus proprietarios, unidos, poderão crear uma sociedade capaz de bem melhor explorar êsse velho e indispensavel meio de transporte, já se vê que em condições mais proprias para o nosso gráu de civilisação.

PONTES DE ATRAÇÃO

Lembramos, linhas acima, a necessidade das velas serem substituidas por motores, aliás como já está se fazendo na travessia de Cachoeira para S. Felix e em outros pontos da Bahia. Todavia, o mais proprio seria surgir um serviço de lanchas motores, impossivel atualmente pela falta de pontes de atração. Este serviço é feito com o encalhe das canôas nas praia da Ribeira e de Plataforma.

VITIMAS DE ACUSAÇÕES

Depois que se instalou o aero … o P.P.P.A.U? diz-se ter sido motivado por uma dessas “canôas de passagem”.

É verdade que em se tratando de embarcação a vela cujo governo é feito com remos e não com lemes de precisão as manobras se tornam pouco precisas e, sobretudo, lentas fato que não sucederiam se as ditas embarcações fossem motorizadas.

Não queremos, com esta suggestão, fazer com que fiquem ao desamparo aquela quantidade de homens hoje, como há cem anos passados, incumbidos desse trabalho. Bem que todos ou, pelo menos, a maioria, poderão ser aproveitados assim haja quem queira estudar a possibilidade de explorar o aludido meio de transporte.

Festa de Reis em preparo

5 janeiro 1941

Aparentemente, se trata de ranchos infantis.

O recital hoje de Julio Moreno

12 janeiro 1941

O recital hoje de Julio Moreno”


JULIO MORENO

Deverá realizar-se, hoje, no salão nobre da Associação dos Empregados no Comércio da Bahia, um recital de arte promovido pelo festejado cantor da cidade, Julio Moreno.

Artista de reconhecido valor, justamente benquisto, por certo alcançará êxito no espetaculo que resolveu dedicar á sociedade bahiana, principalmente por ter reunido o que de melhor pode se encontrar, entre nós, na matéria de musicas populares e teatro ligeiro. Assim é que, tomaram parte no recital de Julio Moreno, entre outros, os seguintes artistas:

Roberto Santos, a voz sentida dos bairros; Izaura Bravos, a ex-atrix da Cia. Marchize Branca; Natercio Bastos, o poeta das serenatas do programa Melodias Doiradas; Nanci Rita, a voz de menina moça; José Gonzales, o aplaudido cantor de tangos; Stela Brandão, a estrelinha mignon; Antonio Pinto Bahia, o menino tenor; Ivan Assis, jovem sapateador bahiano; Bob Silva, o poeta de Itapoan; Klaus Kiuas e sua troup de sketcks; a formidavel trinca do Rádio Schetchks. Chico Fulô, Zé Trindade e Dona Rosa, e, finalmente, a afamada Orquestra de Antonio Morais.

[Texto integral] db410112.jpg

As Festas do Padroeiro

15 janeiro 1941

(do Bonfim)

As Festas do Padroeiro

Vamos lavar o templo de Oxalá – E a cidade se movimentará para assistir uma solenidade tradicional — Missa na Conceição, seguindo-se o prestito.

A LAVAGEM AMANHÃ

Constituindo uma velha praxe, amanhã é o dia da lavagem da igreja. Ha cerca de tres anos essa demonstração de fé voltou a ser feita com toda solenidade.

As filhas e mães de santo, trajadas tipicamente, em longa romaria, vão lavar a casa de “Oxalá”. E o cortejo monumental partindo da Conceição da Praia, após da missa e benzimento do material da lavagem, assiste-se milhares de homens, mulheres e crianças carregando de longas distancias, agoa, vassouras, panos, etc. para a limpeza do pizo do templo glorioso.

Ao par disso, dando maior realce ao cortejo, automoveis, onibus, caminhões, carroças, alimarias fantasiadas, oferecem um aspecto diferente á cidade.

E a lavagem, amanhã, por certo constituirá novo e grande exito.

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E a Fé Viveu Um Grande Dia

17 janeiro 1941

Lavagem do Bonfim [fotos]

«Nesta Sagrada Colina -- Manção da Misericordia»

E a Fé Viveu Um Grande Dia

Monumental a romaria e tocante a cerimonia da lavagem da Basilica do Bonfim – Vibração e crenças – Granfinas, Mães de Santo e a plébe em perfeita comunhão – “Oxalá, meu pai!” – A menor […] meira &ndahs; Depois de tudo.

A ROMARIA

...

ALEGRIA E FE'

Foguetes espoucavam no ar. As filhas de Tumbuparã e as Aba-Tomi e Venzá, com as suas saias brancas de róda e blusas rendadas, carregando potes enfeitados e cheios dagua, iam alegres para lavar a casa de Oxalá. Dentre elas, Taitu', a rainha de beleza, merecia o maior respeito. Todos obedeciam suas ordens e seus conselhos.

As granfinas, formando com a massa, entendendo pouco das coizas do “terreiro”, preferiam continuar cantando:

Ninguem sabia êsse samba e, por isso o cara de oculos ficou com a cara sambando.

CHEGA O PRESTITO

A LAVAGEM

ROMEIRA DE 7 ANOS

… Terezinha Matos, com 7 anos de idade, apena, residente á Massaranduba …

DEPOIS DE TUDO

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Ecos da lavagem do Bonfim

18 janeiro 1941

[fotos: grupo no adro, homem, filhas de Santo]

E'cos da lavagem do Bonfim

fotos
Nestas poucas linhas, voltamos a nos referir á grandiosa festividade realisada ante-ôntem, quando da lavagem do templo do Senhor do Bonfim. O cliché fixa, ao alto, grupo completo das “bahianas” que compareceram á cerimonia e são filhas de “Orixá” dos terreiros da Goméa, Cruz do Cosme e S. Caetano. Em baixo, respetivamente á esquerda e á direita, Alexandrina Santo e Maria José, as “Taitús” do grupo. No medalhão, o sr. Antonio Monteiro que, juntamente com os srs. Edmundo Almeida e Miguel Santana, foi um grande animador da festividade.

O Dia de N.S. do Bomfim

19 janeiro 1941

longo comentário sobre a arquitetura da igreja, por A???o Freire de Carvalho. Reação às três matérias precedentes, que focalizam o povo-de-santo. Novo artigo sobre as festas

O Dia de N.S. do Bomfim

Toda a cidade rende graças ao seu padroeiro – As solenidades de hoje – Amanhã, a segunda-feira gorda.

[foto do monumento]
Basilica do Senhor do Bonfim

… A cidade de Salvador vive, nestes momentos, horas de intensa alegria com as festas do seu grande Padroeiro, Nosso Senhor do Bonfim.

Desde o dia 9 que um reboliço estranho movimenta as nossas ruas.

A tradicional noite de ontem, do sábado do Bonfim, foi mais uma demostração da crença do povo bahiano no seu patrono.

Desde as primeiras horas da manhã de ontem, era um […] de curiosos e […] de gente apresada, nos […], nos bondes, nos onibus, a pé ou por qualquer meio que os conduzisse á “Sagrada Colina”.

O adro apresenta uma feerica iluminação, estando a frente do Templo iluminado por milhares de lampadas. Ao corêto tem tocado todas as noites a banda de musica do Corpo de Bombeiros …

OS TERNOS NO ADRO

… premios …

O GRANDE DIA

Hoje é celebrado o grande dia do Senhor do Bonfim …

A SEGUNDA-FEIRA GORDA

A commissão encarregada das festas da tradicional segunda-feira gorda, …

As festas da padroeira de Amaralina

25 janeiro 1941

Lupe Ferreira novamente na Bahia

28 janeiro 1941

O termo grupo regional aparentemente denota grupo de negros. Os integrantes tem apenas primeiro nome. O termo manolista não consta do dic. Aurélio. Na foto aparecem de esquerda para direita o pandeiro (Orlando) um violonista, um músico com cavaquinho (seria isso o manolo), a cantora, outro violonista e o clarinetista (Euclides).

Lupe Ferreira novamente na Bahia

Desta vês a grande sambista trouxe um grupo regional da terra do frevo

foto de grupo
LUPE FERREIRA COM O SEU GRUPO REGIONAL

A Bahia já conhece de sobra Lupe Ferreira …

TROUXE UM REGIONAL ABSOLUTO!

… constituido dos bambas: — Djalma e Gabriel violonistas; Dario, manolista; Euclides, clarinetista e Orlando, pandeirista;

DOIS DEDOS DE PROSA

… meu emprezario sr. Paulo Paes … 30 dias de exhibições

Haïle Selassie voltou ao trono

5 fevereiro 1941

[Foto]

O americano curioso

7 fevereiro 1941

O americano curioso

Comeu vatapá, aprendeu a capoeira e subiu e subiu a montanha...

A cidade viveu um dia diferente, ontem, com a visita de mais de 300 turistas do "Argentina" -- As igrejas da Bahia deslumbraram os "yankees" endinheirados e extravagantes – Algumas horas de encanto no Hiate Clube – Nem todos quiseram seguir o programa oficial...

A cidade viveu ontem um dia diferente. Desde as primeiras horas da manhã até as ultimas da tarde, pouvo mais de 300 americanos curiosos, cheios dos dolares e de entusiasmo pelas coisas bonitas que a nossa Bahia exibe aos olhos do observador estranho, espalharam-se pelas igrejas vetustas mas esplenderosas, pelas praias formosas, pelos edifícios seculares. Eram os turistas do "Argentina", o grande vapor americano da Hoore Mc Cormack, que vai até Buenos Aires em viagem de recreio.

E o apresado transeunte teve oportunidade de vêr matronas excessivamene pintadas, caregando enorme bolsas de pano ou de couro, viu encantadoras loirinhas de cabelos soltos, sem meias, e um sorriso eternamente brejeiro a bailar-lhe nos labios; finalmente, teve ocasião de observar as maneiras curiosas dos delgados e corados americanos, que discutiam em voz alta com os vendedores de bugingangas, mas que acabavam pagando o preço exigido.

NEM TODOS ADERIRAM AO PROGRAMA

A companhia consignatária do navio americano organisou um vasto programa de visitas para as três centenas de alegres excursionistas.

Nem todos aderiram, porém ao plano oficial de passeios, preferindo observarem por iniciativa pessoal os lugares que mais lhe agradassem, espalhando-se desse modo pela cidade em ruidosos e pequenos grupos, que gastaram e brincaram muito...

DESLUMBRADOS COM AS IGREJAS

O "Argentina", apezar de estar calando 23 pés apenas, não atracou. Fundeado ao largo, manteve-se assim até as 17 horas, quando levantou ferros para o Rio de Janeiro. Os passageiros foram à terra em 2 vapores da "Bahiana" e várias lanchas fretadas pela companhia.

Logo chegados ao cáis do 4.º Armazem, foi organisada uma longa caravana de automoveis, que atravessando a ladeira da Montanha, a praça Castro Alves, rua Chile, e praça Rio Branco, fez alta no Terreiro, onde saltaram os turistas para uma visita ás igrejas do local. A impressão foi formidável, tendo os "yankees" ficando deslumbrados com a magnificencia dos ricos templos, que formam o mosteiro de São Francisco, a Catedral Basilica e o convento do Carmo.

VISITA AO HIATE CLUBE

Após os bairros de Brotas, Rio Vermelho e Barra, fizeram os turistas nova parada no Hiate Clube, onde chegaram á hora para o almoço que lhes havia sido preparado. Os americanos provaram na elegantes agremiação da Ladeira da Barra todos os quitutes regionais da Bahia, e assistiram boquiabertos a uma exibição da legitima capoeira, com birimbau e tudo. A piscina do Hiate Clube agradou em cheio, e não foram poucos os americanos que se deixaram levar pela tentação, e deliciaram seu corpo com um banho que tão cedo não esquecerão...

PASSAGEIROS DE DESTAQUE

Naquela onfusão enorme que reino sempre no "Argentina" enquanto iam e vinham de terra os turistas, foi dificil para o reporter focalisar todas as figuras de relevo que transitaram no paquete da "Frota da Boa Vizinhança". Apesar disso, palestramos de passagem com o capitão A. Eldinge Jamel, novo chefe da Missão Militar Americana no Brasil; doutor George Hanson, médico oculista americano; sr. F. J. Mc. Cromack, vice-presidente e tesoureiro da Moore Mc Cormack e sr. Candido Botelho, cantor brasileiro que durante meses exibiu-se na Feira de Amostras de New York.

[texto integral]

Carnaval

25 fevereiro 1941

Editorial amargo assinado Mascara preta. Textos de canções. Bloco do próprio jornal.

MOMO SE DESPEDE HOJE!

Todas as homenagens que lhe forem prestadas ainda são poucas — Carnaval alegre e movimentado — Os clubes elegantes deram a nota principal — Rua Chile, o eterno Quartel General — O Bloco cá de casa

A cidade está vivendo os dias alegres do Carnaval. O reinado efemero do maioral da pandega terá o seu ponto final hoje. Faz pena até se noticiar este fim. Numa vida de ingratidões, miserias, falsidades e tanta couza ruim como a que se lêve, os três dias do Carnaval passam rapidamente. Mas outros Carnavais virão. Esperar ainda é um grande consolo.

Desde sábado que o bahiano se transformou. Deixou á margem tôlos preconceitos e se meteu na roda do samba. (…)

MASCARA PRETA

PROPAGANDA INTELIGENTE

… propaganda comercial

ALCUMA COISA DOS BAIRROS

A Estrada da Liberdade …

A querida zona de Itapagipe …

NA RUA CHILE

POLICIAMENTO ELOGIAVEL

O TRANSITO

BAILES DE SUCÉSSO

A CIDADE FEZ O CARNAVAL DANÇANDO

NO FANTOCHES

GRATOS PELA OFERTA

S. PEDRO SEM MUSICA E PIEDADE A'S ESCURAS

O TERREIRO, SEMPRE O TERREIRO

A roda de samba se forma sempre no Terreiro.

E' ali que as legitimas bahianas, com as suas saias rodadas e bem engomadas, balangandans e torços fazem a festa. O maxixe como no centro.

A BAIXA DOS SAPATEIROS ESTA' FIRME

O Bloco cá de casa

Prontos para a farra numa alegria doida

Músicas heróicas

1 março 1941

Palavras chave: música erudita, Vila Lobos (declarante)

Ação patriotica

DO DEPARTAMENTO DE E. NACIONALISTA

VÃO SER GRAVADAS, COM OBJETIVOS EDUCACIONAIS, TODAS AS MUSICAS DO GENERO DENOMINADO “HEROICO”.

O que disse á imprensa, sobre o palpitante assunto, o coronel Ayrton Lobo, diretor daquele setor da S. G. de Educação e Cultura.

RIO (Pelo aéreo) – Das mais importantes, sem dúvida, é a finalidade do Departamento de Educação Nacionalista, da Secretaria Geral de Educação e Cultura em boa hora confiada á orientação inteligente do coronel Ayrton Lobo. Oficial ilustre do Exercito Nacional, homem de cultura e de aprimoradas virtudes civis, não se torna necessária nenhuma investigação, nenhum esforço de reportagem para se chegar á evidencia de que, efetivamente, o rumo que se traçou, ao assumir o cargo, vem cumprindo com elevação e dignidade.

Esse novo setor da administração municipal tem, realmente, conforme accentuamos em princípio, grande importancia não apenas no sentido comum em que o termo é aplicado. O Departamento Nacional que na esfera muscal tem por principais objetivos – nacionalização da nossa educação artistico-musical; divulgação das produções originais dos nossos patrícios; formação de uma verdadeira conciencia musical brasileira, pelo conhecimento e domínio da sensibilidade artística peculiar á nossa gente, e, finalmente, penetração progressiva no folklore musical do Brasil, o Departamento acima poderá exercer decisiva influencia na vida artistica-musical brasileiro.

Diante da noticia de que várias e interessantissimas musicas do genero denominado “heroico” iam ser gravadas, porcuramos o brilhante oficial brasilero que declarou: Meio seculo para a educação artistica que ha vários anos, vem sendo ministrado, intensivamente, nas escolas, o ensino de musica e canto orfeônico, de que é pionieiro entre nós o maestro Vila Lobos.

O assunto, como se vê, de palpitante interesse, merecia ser ventilado com maior amplitude. Procurou, assim, ouvir a opinão, a respeito, do grande artista e professor que ha mais de um decênio vem dedicando toda a sua atividade á obra do Serviço de Educação Musical e Artistica.

NÃO SE PODERA ENCONTRAR ARTE NAS MANIFESTAÇÕES CARNAVALESCAS

Encontramos o maestro Vila Lobos ocupado em acertar medidas para o aperfeiçoamento dos serviços que lhe estão confiados. Em sua mesa de trabalho, misturavam-se, num atestado concreto de sua multiforme atividade, páginas de musica, petições, livros de solfejio, ordens de serviço. O maestro, com sua maneira propria de tratar os assuntos declarou desde logo que não podia compreender como se referia o cronista de tal forma a uma questão tão complexa.

E esclareceu:

-- Arte, meu amigo, é a disciplina dos sentidos. E não se poderá encontrar arte nas manifestações carnavalescas que são, sobretudo, uma forma do individuo se libertar de toda a disciplina, quer do corpo, como do espirito. Digo mais: não será possível, tampouco, encontrar nas manifestações livres como as carnavalescas indicios de educação artistica a não ser que se procure conduzir essas excepcionais manifestações populares, ao alto sentido artistico. Repito isso, quasi impossivel, atendendo á complexidade da nossa educação.

ESTA' DESAPARECENDO O ENTUSIASMO CARNAVALESCO DO POVO

Ha uma breve pausa. O maestro Vila Lobos arruma alguns papeis e prossegue:

-- A tendencia do grande entusiasmo carnavalesco do povo vai desaparecendo, á medida que se eleva o indice da nossa cultura. Posso acrescentar que é o meu maior desejo transformar essa loucura folionica em locura patriotica, ou seja, em manifestações de civismo e patriotismo. Mas daí a se pretender que eu possa influir no gosto da opinão publica, vai um abismo.

A EXCEÇÃO NOS HABITOS DO PROVIDENCIAS

O grande animador do ensino do canto orfeônico no Brasil acrescenta incisivamente:

-- A arte só vive nos meios selecionados. Como, pois, entrar senso artistico na mais espontanea das manifestações do povo? Ha um pais que todos reconhecem como o que mais importancia empresta á educação dos seus filhos. Pois esse povo, o inglês na festa dos operarios que é uma festividade geral, não apresenta o menor indicio da grande sensatês que é possuidor.

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DENTRO DE 50 ANOS, TODO O BRASIL TERA' UMA EDUCAÇÃO ARTISTICA POPULAR

-- A triplice finalidade do nosso serviço – prossegue o maestro Vila Lobos – que se resume em disciplina, civismo e educação artistica, está sendo cumprinda. Estamos desenvolvendo o senso artistico geral por intermedio da musica. Porém, devo dizer que não tem sido poucas as dificuldades. Começamos em 1932 o ensino do canto orfeônico, com um grupo de apenas cem professores e fizemos um preparo inicial, neste ano, com 20000 escolares. Os resultados eficientes da disciplina social coletiva foram muito acima do que se podia esperar, mas não artisticamente, mesmo porque serão precisos 50 anos para que o Brasil tenha uma educação artistica popular coletiva. De 1932 a 1940, o numero de professores foi diminuindo. Não obstante, em 1941, fizemos uma demonstração de 43.0000 escolares na mais perfeita disciplina coletiva.

ENFERMOS OS PROFESSORES – COMO PREPARAR O MELHOR CARNAVAL?

-- Esses escolares receberam preparo de 80 professores que se desdobraram, num seriedão incrível, a ponto de muitos enfermarem seriamente. Houve mesmo quem apresentasse, após a fase de preparo escolar, sintomas de afecções nervosas ou mentais. Com essa dificuldade em se implantar o ensino civico musical em nosso pais, com será possivel chegar ao ponto de educar o povo?

E o maestro Vila Lobos acentua:

-- Se se deixasse sair exclusivamente no Carnaval os que receberam educação civico-musical completa, como aqueles 43.000 escolares então o povo assistiria a um belo espectaculo.

Mas com o numero atual de carnavalescos, só se melhorão indicios de educação artistica durante o triduo folionica, com a presença de um milhão daqueles alunos.

EM TODO O BRASIL, A ORIENTAÇÃO CIVICO MUSICAL

A palestra prolonga-se. O jornalista, xxx do maesto encerrar a entrevista, pergunta:

-- Mas o senhor não desanima, ante as atuais perspectivas?

-- Absolutamente – retruca o grande artista.

E conclue:

-- Não desanimo porque tenho o apoio do sr. Presidente da Republica, de maneira a possuir a certeza de que, dentro em breve, a orientação da educação da disciplina civica musical, estará difundida pela juventude de todo o Brasil.

Para esse fim, recorreu o Departamento, através do seu Serviço de Educação Musical e Artistica, ás bandas de musica das unidades militares e os comandos daquelas, a que nos dirigimos, deram-nos o mais franco apoio.

-- De maneira que a gravação? . . .

-- Assim, pretende o Departamento de Educação Nacionalista, -- acudir de pronto, interrompendo, o coronel Ayrton Lobo -- gravar um numero de “musicas heroicas” que não está prefixado. Como se torna necessário um rigoroso espirito de seleção, ficou resolvido que as gravações sejam feitas em series de dez dico, de face dupla, contendo vinte musicas.

-- E, quais as bandas a que se dirigiu o Departamento e quais as que vão gravar os primeiros discos?

-- Dentre desse criterio, já contamos com a colaboração das bandas de musica da Escola Militar do Corpo dos Fuzileiros Navais, do Corpo de Bombeiros e do Batalhão de Guarda. Tambem temos assegurados o concurso da banda da Policia Militar e da banda da Policia Municipal. Nesta oportunidade, continuou o coronel Ayton, vale a pena recordar haver o Departamento procedid, recentemente, á gravaç de dez discos de musicas folk-loricas, destinadas a educar o gosto artistico da juventude. Essa iniciativa foi recebida com especial interesse pelos meios escolares.

E, terminando:

-- Perseverando nesse programa, fará o Departamento, em proximo ensejo, gravar musicas populares destinadas a dansas de salão tipicamente brasileiras e de musica destinada a jogo recreativo, aplicaveis á educação da juventude.

Propaganda da Gillette com técnicas de jiu-jitsu

16 março 1941

Faz parte de uma série, que ilustra outros esportes, tais como o ténis (DB, 4 mai 41), montanhismo (DB, 6 abr 41), polo aquatico (I, 8 dez 41), corrida com obstáculos (I, 20 out. 40), remo (EB, 6 abr 41) cada um com desenhos de técnicas, feitos por artistas diferentes.

Os Pelles Vermelhos no Exercito Norte Americano

19 março 1941

A Liga Bahiana contra o Analfabetismo abre sede

21 março 1941

A Liga Bahiana contra o Analfabetismo abre sede na Rua Uruguay, 48 [Mares]. Major Cosme de Farias

Nas margens santas do Dique

1 abril 1941 p. 2

Um dos muito raros artigos que mencional a religião popular e a capoeira; cita Adayno de Couto Ferraz, mentiona os romances de Jorge Amado.

Nas margens santas do Dique

Reminiscências de um reporter – Um povo de vida e crenças próprias – Oferendas á mãe dagua

Varios são os aspectos pitorescos da nossa cidade de Salvador. Os seus costumes populares, suas igrejas coloniais, suas festas de largo, tudo isso sem falarmos dos encantos naturais, que fazem da nossa velha cidade de Thomé de Souza, uma das mais procuradas pelo turista, avido de cousas novas, que eles não veem nas suas metropoles de concreto e aço. Cidade das mais antigas do Brasil, a Bahia de todos os Santos já foi cantanda em prosa e verso, como “terra mater”, “terra abençoada”, “terra que tudo dá”. Sim, a Bahia é tudo isto e dá tudo.

Porem, infelizmente poucos são os que aqui nascindo e vivendo, conheçam o que nos temos de grande, de belo, e tipico porque muitos julgam que a cidade começa no Terreiro e termina no Farol da Barra.

Mas o reporter não pensa assim. Vai a todos os logares. A Plataforma, ao Alto do Peru', a rampa do Mercado Modelo, viver com seu povo, sem se envergonhar dele. Conversa com o doqueiro, com a preta do acarajé, com o capoeirista, que conta como tomou uma facada por causa de uma cabrocha numa “solenia” de Oxum.

Vai ás festas de largo, as procissões, aos candomblés do preto Rufino, ouvir suas queixas contra a policia, que persegue os santos da Loanda. Porem, não só os costumes populares nos fizeram conhecidos.

. . . . . .

Temos tambem paizagens pitorescas, recantos baetos e bucolicos, onde o granfino esfantardizado tem vergonha de ir. Recantos que lembram cenas das ilhas dos mares do Sul e da lendaria India. Porque como disse Aydano de Couto Ferraz a Bahia muito se assemelha com a India.

O misticismo do seu povo, a vegetação de bruta exuberância da sua gleba, seux cantos que lembram lamentos de negros no eito, forçam a darmos razão ao poeta.

Dentro todos os lugares belos da cidade destaca-se o Dique.

Lá vive um povo de vida e crenças proprias. Cré na mãe dagua a quem presta homenagem, cumprindo promessas.

O reporter for até la matar saudades do seu tempo de criança, quando morava no Tororó e se banhava nas aguas limosas e verdes do Dique.

Ai nada tinha mudado, as mesmas velhas barcas, manobradas por velhos barqueiros que contam historias da mãe dagua proterora dos maritimos. Tomamos uma barca do velho Licurgo, nosso antigo conhecido de infancia. A barca a um impulso forte do velho barqueiro, afastou se com um arranco da margem barrenta onde brincam as crianças epiladas, filhos dos moradores ribeirinhos.

O vento calmo da tarde fazia oscilar a fragil embarcação, grazendo-nos uma cantiga cheia de suave misticismo africano, entoada por uma lavadeira que batia as roupas do gran-finos da Vitoria nas pedras alvas das margens.

O velho Licurgo continua remando, ao compasso do canto da lavadeira, fazendo côro baixinho ao som da musica.

Vem-nos a mente lembranças de cenas vistas em filmes, e lida nos romances simples de Jorge Amado.

Já ao cair da tarde vemos surgir na penumbra dos arvoredos, uma multidão cantando uma melopeia cadenciada, fazendo presentes para a sua protetora a mãe dagua.

São laços de fitas, pentes, sabonetes, pequenas dadivas a esta figura lendaria que nosso povo acredita. .

Chegando á margem, ao ritimo do batuque, sapateiam,cantam, elevando os braços aos céus, depois de lançarem os presentes ás aguas verdes do Dique em cujo fundo móra a mãi dagua.

Em seguida rezam pedindo á Santa que não mande as escumas brancas, que raivosas pedem a morte de um morador das margens.

Mais uma vez somos forçados a dar razão ao poeta. Os costumes da nossa Bahia de Todos os Santos tem muita e muita semelhança á mentalidade e ás romarias dos indu's ás margens do Ganges, o rio santo da lendaria India.

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Aniversário do Major Cosme de Farias

4 abril 1941

… á noite a emissora local prestou uma homenagem …

Combatendo o “curandeirismo”

4 abril 1941, p. 8.

Combatendo o“curandeirismo”

A DELEGACIA AUXILIAR AGE CONTRA OS “MACUMBEIROS”

A credulidade publica é a coisa mais facil deste mundo para ser explorada por individuos menos escrupulosos. A Delegacia Auxiliar, entretanto, não dá treguas aos “macumbeiros”.

E quando qualquer deles e fisgado em flagrante, sofre logo a punição que merece.

Ainda ontem, foi preso o sapateiro Amancio dos Santos, residente á Estrada da Liberdade, quando fazia um “despacho” para uma das suas vitimas.

Ouvido da policia, Amancio declarou que praticava illegalmente a medicina.

[Texto integral].

3 annos de governo da cidade

13 abril 1941

3 annos de governo da cidade

Inaugurados melhoramentos urbanos

foto
Prefeito Neves da Rocha

… reforma do facies de nossa velha urbs … novo trecho da Rua Carlos Gomes e aos bombeiros os melhoramentos do seu quartel.

Silvio Caldas requereu sursis

18 abril 1941 p. 5

SILVIO CALDAS REQUEREU SURSIS

Rio, 17 (A.N.) O conhecido cantor de radio Silvio Caldas, que fora condenado a dois meses de prisão por haver atropelado e morto, com seu automovel, um professor, requereu « sursis ».… …

aniversário de Getúlio Vargas.

19 abril 1941

Brancos e pretos no mesmo nível

30 avr 41, p. 1

Pequena notícia, sem artigo, mas em gordo sobre duas colunas em baixo da primeira página.

Brancos e pretos no mesmo nível

Washington, 29 (A.V. - Brasileira)
— A Suprema Côrte de Justiça concedeu aos homens de cor os mesmos direitos que aos brancos.

Comunismo!

1 maio 1941

Ziguezagueando entre os rochedos da censura.

Grifo 8

Comunismo!

Dos mais louvaveis e intesissimo tem sido o trabalho do Governo, quer Federal como Estadual, no combate ás ideologias contra o regime. Felizmente, tais cancros têm sido extirpados da sociedade, indo seus simpatizantes esbarrar na Policia e no Tribunal de Segurança Nacional.

Nós, por questão de principio, jamais demos guarida a qualquer desses crédos, fosse ele verde, vermelho, azul ou prêto. Aplaudimos o desassombro e a tenacidade do Presidente Getulio Vargas, chefe direto de tão util combate. Ao contrario, aplaudimos a democracia que é o solido pedestal em que se plantou o Estado Novo. Por isso, qualquer ato praticado em favor dos ditos crédos não perdoaremos seus responsaveis, apontando-os á Delegacia de Ordem Politica e Social.

Eram precisamente 11,30 horas de óntem. Subiamos um dos camarins do Elevador Lacerda, dirigido pelo acensorista n. 1334. No mesmo viajava, tambem, um funcionario da Prefeitura, nosso conhecido, muitas outras pessoas e um 3º sargento da Policia Militar. Este, o possivel comunista. Tipo alto, um pouco idoso, mulato, barba grisalha rapada, mal amanhado, parecendo até já ter tomado algumas “brabas” para o almoço. Sem que ninguem o tivesse provocado para tanto, inicia, so geral espanto, um comicio comunista, assim falando:

— “Sou um homem que odeio o capitalismo e os Granfinos. Estou e estarei sempre ao lado dos pobres proletarios, oprimidos por aqueles. Tenho fé que ainda irei ás trincheiras para defender minhas idéias e acabar com esses lordes que pouco trabalham e ganham demais. O homem deve ganhar proporcional ao esforço e suor que derrama.”

Ainda na Praça Municipal, o Sargento revoltado seguiu falando sozinho. Falando contra o regime porque está sonhando em outro. E', portanto, um elemento perigoso. Só encontrara um atenuante para tão grande crime, emborar agrave outro procedimento improprio aos militares — provando que estava totalmente embriagado.

Folclore

4 maio 1941

O folclore despresado e ironisado recebe agora, o culto da mocidade estudiosa

Entrevistando o presidente do Centro de Estudos Folcloricos — A organização e sua …

Visitando a exposição de trabalhos litero-cientificos dos alunos da Faculdade de Direito da Bahia, … Fernando Pinto de Queiroz …

— Inicialmente devo dizer que o P.C.E.F., ao contrario das sociedades congeneres, formadas de nomes consagrados, não é um centro de folcloristas, mas uma escola de folclore. …

Enid Pacheco: mulher na Universidade

4 maio 1941, p. 5

filha de ministro passa o vestibular e entre na Faculdade. Com foto.

Pedro Gordilho

4 maio 1941, p. 8

Pedro Gordilho diretor do Departamento do Transito, com dois subordenados abusados.

Carmen Miranda apoiu Grande Otelo

6 maio 1941

(do Rio)