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Association de capoeira PALMARES de Paris. O levante das tropas estrangeiras em 1828 no Rio de Janeiro
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copilado e anotado por Pol Briand. |
revisado 31 agosto 2007
João Manoel Pereira da Silva (Iguaçu RJ 30 agt 1817 -- Paris France 14 jun 1898) -- se formou em direito em Paris de 1834 a 1838. Escreveu uma Historia da fundação do Império brazileiro em 7 volumes in-8o (Paris:Garnier, 1864-1868), seguido por Secondo periodo do reinado de Dom Pedro I no Brazil, narrativa historica (Rio de Janeiro:Garnier, 1871) que cobre os anos 1825-1831, Historia do Brazil durante a menoridade de D. Pedro II (1831 a 1840) (Rio de Janeiro:Dias da Silva jr., 1878) (com segundas edições).
Não é para esconder que Pereira da Silva, também autor de outro escrito, em francês na Revue des Deux Mondes, levou péssimas criticas. Já em 1879, Sylvio Romero o considera como um velho declamador rhetorico
(Vista synthetica sobre o folk-lóre brasileiro
, Revista Brasileira). No tocante à obra literária e estilo, Veríssimo avalia-lo como o tipo do amador, do diletante, em letras, escrevendo pelo gosto, acaso pela vaidade de escrever, sem no íntimo se lhe dar muito do que escreve e menos de como escreve. Tinha sem dúvida vocação literária, mas sem os dons correspondentes que a fecundassem
(História da Literatura Brasileira, Rio de Janeiro, 1915). Ninguém poderá afirmar com segurança que ignora totalmente a História do Brasil sem antes haver lido a obra do sr. Pereira da Silva
reparou Capistrano de Abreu (citado por Ligia Osorio Silva, Propaganda e Realidade: a imagem do Império do Brasil nas publicações francesas do século XIX
, Revista Theomai, n. 3, Quilmes, 2001). Como pode-se constatar nos trechos citados abaixo, Pereira da Silva não se constrangi em citar as suas fontes. Estas críticas não impedem que Pereira da Silva seja um representante das opiniões dos brasileiros cultos, europeanizados, da sua época.
Citamos, do Secondo periodo do reinado de Dom Pedro I no Brazil, narrativa historica, os trechos relativos aos regimentos estrangeiros de 1828. O trecho citado por Rego ilustra o sentido da palavra capoeira na época. Para um entendimento do sentido político dos acontecimentos, mais leituras serão necessárias.
A nossa transcrição respeita a grafia original e os fins de linha.
Secondo periodo do reinado de Dom Pedro I no Brazil, narrativa historica
por J. M. Pereiro da Silva, Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1871 (In-16, VIII-465 p. et errata)
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Desesperava-se D. Pedro com a marcha dos
acontecimentos, conhecendo o desprestigio, e
a impopularidade, em que seu governo cahia to-
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dos os dias. Lembrou-se de aliviar a população
do sacrificio do recrutamento, augmentando os
corpos de alemães que já serviam ao imperio.
Apesar de que na camara dos deputados se
haviam erguido vozes autorisadas combatendo
a introducção de extrangeiros no exercito, pensou
D. Pedro que o povo estimaria de preferencia que
a guerra continuasse com braços mercenarios á fa-
ze-la com nacionaes, que se roubassem ás fami-
lias, á industria, e á lavoura. Não eram valentes
marinheiros os inglezes e americanos, que se
empregavam na esquadra, e os officiaes, que
ainda sobravam do tempo de Lord Cochrane,
não se mostravam os mais habilitados para com-
mandar os navios de guerra ?
Convencido sinceramente da utilidade desta
providencia, chamou á sua presença o coronel
inglez Coter, e incumbio-o de partir incontinente
para a Irlanda e Alemanha, á contractar para o
imperio homens robustos e algumas familias; que
quizessem dedicar-se á trabalhos agricolas, e de
expedi-los no mais breve espaço de tempo. Prepa-
rava-se assim para quando chegassem os colonos ao
Rio de Janeiro, faze-los proferir o serviço militar,
por meio de premios elevados, e promessas lison-
geiras, ancioso como estava de terminar uma guer-
ra, que por mais justa na sua origem começava já,
todavia, á cansar os espiritos de toda a população,
e desmoralisar-se com as demoras, e desastres, de
que fora acompanhada.
Infelizmente o imperador não encontrava au-
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auxilio nos ministros e homens, que o cercavam,
ou pelo costume, que haviam tomado de subs-
crever ás suas vontades apenas manifestadas,
sem ousarem reflectir, e menos objecta-las, ou
por se não acharem na altura das circumstan-
cias. Os ministros não passavam de seus ins-
trumentos ; os generaes não lhe correspondiam
á confiança ; seus agentes segundarios não ser-
viam mais que para compromete-lo, e despopulari-
sa-lo em vez de coadjuva-lo. Mas D. Pedro se não
resolvia á sahir do circulo dos homens poli-
ticos, que elle conhecia, e com os quaes se ha-
bituara, quér pelo sentimento da gratidão, que
elle guardava dentro do peito com cuidado lou-
vavel, e segura lembrança, quér por se temer
dos que apregoavam ideias livres, e caracteres
independentes, e que podiam cuidar antes de si
que da corôa, e dos interesses do imperio.
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Foram chegando da Europa, por esse tempo, os
colonos irlandezes e allemães, cujo contracto se
incumbira ao coronel Cotter. O negociador infe-
lizmente não só excedera ás suas instrucções e po-
deres, como effectuara uma escolha desacertada.
Cerca de tres mil colonos partiram para o imperio,
a maior parte solteiros, muito poucas mulheres, e
crianças relativamente ao numero total. Compro-
mettera-se Cotter, por parte do governo brazileiro,
á pagar a cada um delles passagens, e salários de
um schelling diario desde a data do contracto ;
fornecer-lhes alimentos, e vestuario por um certo
prazo ; conceder gratuitamente datas de ter-
ra de quaranta geiras á quantos servissem no
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exercito brazileiro durante cinco annos, e facultar
a todos em fim o direito de voltarem ao seu paiz
quando não quizessem mais permanecer no Brazil.
Além das condições estipuladas, exigira-se
dos colonos que pelo espaço de quatro horas do dia
aprendessem o exercicio das armas militares, afi-
ançando-lhes prosperidades immediatas. O desem-
barque dos colonos foi um espectaculo que entris-
teceu quantos o prezenciaram no Rio de Janeiro.
Mal vestidos, muitos apenas cobertos com trapos,
a maxima parte descalços e manifestando extre-
ma miseria, rostos macilentos, e prostrações phy-
sicas. O governo lhes não havia preparado accom-
modações com a necessaria antecedencia, de modo
que se vio compellido á mandal-os recolher á va-
rios quarteis de soldados, e particularmente aos
da rua dos Barbonos. O povo miudo, e as
massas infimas da sociedade, apuparam os in-
felizes, ao seguirem elles para seus asylos,
como cohortes de bandidos, em presença dos no-
jentos trajes, e rostos, e corpos quebrantados
pelos icommodos da viagem, acrescentando
assim o insulto á penuria. Desgostosos já com
o seu acolhimento, e não encontrando incon-
tinente as prosperidades, que imaginaram em
seus sonhos, e que lhes haviam promettido,
começaram particularmente os irlandezes á cla-
mar nos quarteis em voz altas, manifestando o
seu descontentamento, queixando-se de que ti-
nham sido enganados, e pedindo ao governo bra-
zileiro os fizesse reconduzir para sua terra. Foi
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mister ao governo tratar de socegal-os, já mi-
norando-lhes os padecimentos, já empregan-
do-os nos misteres, á que de prompto se podiam
applicar. Aos que tinham familia, mandou o ge-
verno recolher á Praia Vermelha, afim de segui-
rem para as provincias, onde aparecessem terras
devolutas para a colonização, auxiliando-os com
toda a roupa e mantimentos necessarios. Aos soltei-
ros e validos propoz imediatamente que abraças-
sem o serviço militar no imperio, assentando praça
como soldados, e recebendo premios adiantados,
para terem logo em que ocupar-se.
E' impossivel descrever-se a situação angus-
tiosa, á que esses infelizes se viram reduzidos ;
objecto de escarneo publico, quasi nús, e des-
calços, longe de suas patrias, ignorando a lingua
portugueza, baldos de trabalho util, á que se
applicassem, sem esperança de futuro, entregues
á caridade do governo, quando pensavam que, ao
desembarcarem, encontravam logo casas particu-
lares, terrenos plantados, ustensis agricolas, moveis,
animaes de serviço, e muitos outro commodos da
vida. Alguns dos mais desesperados, familias in-
teiras mesmo, sahiam dos quarteis, esmolando
pelas ruas no estado mais lamentavel. Estes cau-
savam tumultos, aqueles embriagavam-se, e ca-
hiam pelo chão, de onde era precizo arrancal-os ;
outros fugiam ás pedradas que a gentalha lhes
lançava, feridos, maltratados, e banhados em
sangue : dous ate foram assassinados.
Posto que, ao principio, se recusassem ao ser-
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viço militar, a maior parte não vio depois re-
medio á seus males senão aceitando as propos-
tas do governo, assentando praça, jurando ban-
deiras, e entrando para o exécito. Conseguio
assim o governo formar tres batalhões de in-
fantaria distinctos, com o que augmentou o nu-
mero das tropas brasileiras.
Um brado geral de indignação levantou-se e
echoou em todo o imperio, e fôra delle, contra
semelhante systema de contractar colonos, o qual
desacreditava a emprezas que no futuro se pro-
pozossem mandar vir emmigrantes, para não só
substituir os braços escravos empregados na in-
dustria e agricultura, como povoar as terras
immensas e desertas, de que o imperio dispunha.
O coronel Cotter desmoralisára a colonização, que
pretendesse ainda dirigir para o Brazil, já por
haver contractado as camadas infimas e viciosas
das classes proletarias, de preferencia á pessoas po-
bres, mas robustas e de bons costumes ; já por os
ter illudido com promessas, que se não podiam
verificar, ao passo que obligara os cofres do the-
souro naciional a despezas exorbitantes. O gover-
no, por seu lado, compelindo-os a assentar praça
de soldados no exercito imperial, concorrera tam-
bem poderosamente para augmentar a indisposição
d'esses infelizes, que fizeram publicar na Europa
amarguradas e repetidas queixas, pintando o Bra-
zil como um paiz selvagem e barbaro, para onde
não podim emigrar os europêos em procura de
meios de vida e de nova patria.
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Cumpre entretanto declarar que o paiz progre-
dia á olhos vistos na sua agricultura, e na sua
properidade material e moral.
(...)
A balança da importação e assim da exportação
subia progressivamente de valor, cobrando o the-
souro nas alfandegas e consulados, cada anno que
corria somma maior de direitos e impostos. O que
convinha era animar esses progressos materiaes,
devidos até então mais ás qualidades do solo, que,
ás esforços do governo, antes á expontaneidade na-
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tural do paiz, que mesmo ao trabalho do homem.
Com o augmento da população industriosa, e eu-
ropeia, que por si mesma se encaminhasse para o
paiz, o Brazil lucraria mais que com contracto
de gente miserável, pertencente ás infimas clas-
ses, trazida quase á força e enganada, viciosa
pela maior parte, e cujo espectaculo feria os olhos
e o coração, como o que os irlandezes remettidos
pelo Coronel Cotter offereciam aos nacionaes e
estrangeiros.
[estatística demográfica.]
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Dos extrangeiros contractados para o exercito
brazileiro, parte havia á seguido para o Rio
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Grande do Sul : conservavam-se, todavia, no Rio
de Janeiro três batalhões, um de irlandezes, e dous
de allemães, aquartellados no Campo de Santa An-
na, no Campo de S. Christovão, e na Praia Verme-
lha. Podia orçar o seu numero em duas mil praças.
Todos mostravam-se, de ha muito, descontentes
e queixosos do governo, e da sua propria situa-
ção ; provando á miudo tamanha indisciplina e
insubordinação que nem os mesmo officiaes po-
diam á vezes obriga-los ao serviço ordinario.
Ordenando o commandante do corpo de alle-
mães, aquartelados em S Christovão, que se
castigassem algumas das praças, que tinham
commetido faltas militares, sublevaram-se os
soldados na manhã de 9 de Junho de 1828,
prenderam o Major que pretendia cumprir as dispo-
sições do commandante, e em tumulto e armados,
sahiram dos quarteis, lançando-lhes fogo, preci-
pitando-se nas ruas, maltratando os pacificos e
inermes individuos que encontravam, entregan-
do-se ao saque das tabernas visinhas, e commet-
tando toda a especie de desacato. O general Va-
lente[1], commandante das armas da Côrte, em
vez de empregar incontinente a força contra os
levantados, preferio, no intuito de poupar casti-
gos e sangue, encarregar á varios officiaes que
os procurassem apasiguar, e fazer recolher aos
quarteis, promettendo-lhes o perdão : assim todo
o dia de 9 se gastou inutilmente nas diligencias
conciliatórias.
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Os allemães, aquartellados na Praia Vermelha,
logo que tiveram noticia do feito de seus com-
patriotas em S. Christovam, resolveram-se á
acompanha-los na manifestação, e imita-lhes o
exemplo. Prenderam no dia 10 seus officiaes, as-
sassinaram o major Benedicto Teola que intentou
opor-se á seus designios ; e sahindo em confusão,
começaram á assaltar as casas visinhas para rou-
ba-las, derramando a maior consternação em todas
as visinhanças do seu aquartelamento.
A desordem continuou durante os dias 9 e 10
tanto em S Christovão, como na Praia Verme-
lha, convertidos os dous bairros dos suburbios da
capital em theatro de façanhas de soldados sol-
tos, sublevados, furiosos, e embriaguados, que
desembaraçadamente os dominavam.
O batalhão de irlandezes, que estava no Campo
de Santa Anna, observando que não se compel-
liam[2] pelas armas aquelles companheiros, que em
São Christovam e Praia Vermelha, commetiam
tantas tropelias, entendeu que lhe cumpria
sublevar-se egualmente, e no dia 11 alguns sol-
dados ousaram prender e maltratar os proprios
officiaes. Felizmente, antes que os amotinados
sahissem, chegaram forças milicianas, que
cercaram os quarteis, prohibindo communicações de
dentro para fôra. Ao correr na cidade a voz o
infausto acontecimento, os irlandezes que se
achavam de guarda á varios edicificios e estabele-
cimentos publicos, abandonaram seus postos, e
tratáram de reunir-se á seus companheiros.
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Muitos conseguiram juntar-se aos allemães de S
Christovam ; outros, porém, atacados por magotes
de pretos denominados capoeiras, travaram com
elles combates mortiferos. Posto que armados
com espingardas, não poderam resistir-lhes com
exito feliz, e á pedra, á páo, á força dos braços,
cahiram os extrangeiros pelas ruas e praças publi-
cas, feridos grande parte, e bastante sem vida.
Cortados de sustos, trataram tambem os morado-
res da cidade de prevenir-se, e acautelar-se. Estes
trancaram suas portas com grossos ferrolhos ;
aquelles fugiram para os altos dos morros, e para
os arredores da capital. O governo ordenou por
fim terminantemente ao comandante das armas,
que reunisse os corpos de milicianos, e de policia,
visto que não existiam de guarnição tropas de pri-
meira linha, e marchasse á frente d'elles contra
os sublevados, compellindo-os á depôr as armas, e
á entregar-se á disposição das autoridades. Pedio
egualmente aos diplomatas inglez e francez, que
o coadjuvassem em restabelecer o socego publico,
fazendo desembarcar tripulações dos navios de
guerra francezes e inglezes, surtos no porto, para
serem empregados em manter as posses dos
arsenaes e estabelecimentos publicos [3], abando-
nados pelos guardas irlandezes. Convocou tam-
bem cidadões importantes, e incumbiu-os de
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juntar paysanos, e arma-los para se anexarem
ás tropas, e de comum acordo cooperarem na
restauração da ordem e da tranquilidade. Conse-
guio assim o governo organizar forças imponentes,
e confiadas a guarda do arsenal de guerra e do
palacio de São Christovam ás tripulações francesas
e inglezas, em número de seiscentas praças[4], divi-
dio as que tinham de operar em tres grupos, en-
carregados de atacar simultaneamente os pontos,
dominados pelos allemães.
Os sublevados em São Christovam e Praia Ver-
melha defenderam-se com energia, mas foram
por fim compelidos a ceder, e depôr as armas, tendo
perdido cerca de sincoenta homens entre mortos,
e feridos. Os soldados irlandeses, encerrados
nos quarteis do Campo de Santa-Anna, posto que
pela maior parte embriagados, travaram de den-
tro para fôra um verdadeiro combate com o
corpo de policia. No dia 13, porém, tiveram de
render-se á discrição, tendo-lhes morrido mais de
setenta companheiros nas luctas de rua com os
pretos, e dentro nos quarteis. Dos soldados e
paysanos empregados contra os estrangeiros,
cerca de quaranta mortos e feridos se contaram.
Processados os principaes auctores dos tres di-
versos lenvantamentos, foi um condemnado á
morte, e logo depois executado, e muitos á cas-
tigos mais ou menos rigorosos ; os tres batalhões
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estrangeiros dissolvidos, cerca de mil irlandezes
embarcados, e por intermedio da legação ingleza,
remettidos para o Canadá e Irlanda[5] ; seis-
centos allemães enviados como colonos para a
provincia do Rio-Grande do Sul ; trazentos irlan-
dezes, pouco mais ou menos, para Taperoá, co-
marca de Ilhéos na Bahia, a reunir-se com os
parentes e familias, que já ali se achavam occu-
pados em trabalhos agricolas.
Foram de angustia e pavor os dias 9, 10, 11,
12 e 13 de Junho de 1828 para a cidade do Rio
de Janeiro, posto que ao interior d'ella, é á ma-
xima parte dos seus bairros, não houvesse a lucta
chegado. Bastavam-lhes, porém, os sustos, as
apprehensões, e as noticias encontradas e
varias do que nas visinhanças succedia, para que nin-
guem quase ousasse sair á rua, e dentro em suas
casas, todos se cortassem dos maiores terrores.
Alguns deputados, ao se reabrirem as sessões
das camaras, suspensas durante esses dias tene-
brosos, aproveitaram a oportunidade para mos-
trar com os acontecimentos, as razões, em que
se fundavam, combatendo os contractos de
estrangeiros para o serviço do exercito.
[nota 1] Conhecido depois pelo seu titulo de Conde do Rio Pardo.
[nota 2] Corrigido em reprimia em emendas de fim de volume.
[nota 3] Communicações dos proprios diplomatas á seus governos respec-
tivos. Annuaire historique de 1828. Documentos officiaes.
[nota 4] Officios dos diplomatas inglez e francez já citados.
[nota 5] Officio do diplomata inglez á seu governo. Annuar register 1828.
Consulta versão do comandante da marinha francesa (1828, em Francês/ em Francês).
Consulta versão de Walsh (1830, in English/em Inglês).
Consulta versão de Debret (1834, en Français/em Francês).
Volta para Rego (1968).
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