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Association de capoeira PALMARES de Paris. Os últimos meses de Rugendas no Brasil em 1825.Rugendas permaneceu 48 dias na Bahia na viajem de volta. |

por Pol Briand.
Revisado: 24 janeiro 2005.
"Mein theurer Vater!"... escreveu Maurício Rugendas do Rio de Janeiro no 12 de maio de 1825,
"Meu caro Pai! Afinal encontrou ocasião de dar-lhe, meu amado pai e amigo, provas da minha vida e da minha sem dúvida próxima volta. Desde o 29 de março estou aqui depois de ausência de onze meses e encontrei as suas preciosas cartas de agosto, setembro e 2 de dezembro, com os seus caros anexos, aos quais não quis responder por enquanto pois não podia determinar a data da minha volta, e as quais ainda não respondo hoje, informado tarde demais da saída do Hamburg, ao cujo bordo confio estas linhas. Esta folha assim só serve para avisar que no 30 de maio embarcarei no brigue da Marinha Real francesa Le Phaon, com. Perseval, para a Bahia, de onde partirei depois de poucos dias ao bordo da frigata La Bajonneuse para Brest onde espero chegar se Deus quiser em agosto, portanto por favor o senhor manda notícias neste lugar poste restante (...) [1]".
O jovem artista tinha viajado no interior desde inícios de maio de 1824, primeiro com a expedição Langsdorff, e para este período o jornal do naturalista fornece bastante precisões sobre o seu itinerário, e depois independantemente a partir de 1.o de novembro, e não tinhamos indicação alguma sobre esta parte da sua viagem, até nossa pesquisa documental na França a partir dos dados fornecidas por esta carta nós permitir conhecer as datas e meios das viajens marítimas dos últimos meses da sua primeira estadia no Brasil [2].
O Arquivo da Marinha indica que o Lieutenant de Vaisseau Ferdinand Parseval comandou o brigue Faune, afetado à estação naval francesa no Brasil de 8 de abril 1824 a 13 de maio 1825; eis o "Phaon", eis o "Perceval". A "frigata La Bajonneuse" é a "gabare" (transporte) Bayonnais, que cumpriu duas missões de abastecimento da esquadra em 1824 e 1825, sob as ordens do Lieutenant de Vaisseau Mathieu Jullien [3].
No 5 de maio, o brigue Inconstant trouxe, em recado do Contre-Amiral Grivel, comandante da estação, ordens para Parseval, ancorado na baia desde 23 de abril, de ir à Bahia para tomar os seus mantimentos do Bayonnais, que depois retornaria para Brest. Entretanto, antes de por à vela, Parseval quis ver terminados os trabalhos que tinha mandado entrepreender na enxárcia do Faune, que deviam deter-lo até o final do mês. Eram assim as coisas quando Rugendas mandou a carta para o pai. No dia 4 de junho, o Faune levantou áncora; Rugendas estava certamente no bordo, e se o nome dele não aparece nos documentos de bordo do brigue, lembramos que os pessoas convites pessoais do Comandante embarcados aos custos dele nunca eram mencionados. O Faune chegou à Bahia no 15 de junho, e não encontrou o Bayonnais. O transporte tinha seguido para o Rio a corveta Echo do Capitaine de Vaisseau François Bourdé. Este oficial, comandante interino da forças naval francesa após a partida de Grivel para manobras de escadra, tinha deixado instruções escritas para Parseval no efeito dele seguir logo rumo para o Rio. Em fato, Parseval só deixou a Bahia em 25 de junho [4].

No porto um navio mercante françês, a Louise, do Havre, estava vagarosamente completando a sua carga em açucar e couros. E' neste navio, cujo capitão Jean-Baptiste de Rivry talvez era conhecido de Parseval, que Rugendas voltou para Europa. A Louise pus a vela em 3 de agosto de 1825, e chegou em Le Havre em 25 de setembro. Os sete passageiros, quatro estudantes brasileiros e o criado de um deles, mais um negociante francês e Rugendas, que usava um passaporte francês, foram autorizados a desembarcar três dias depois [5].
Assim Rugendas ficou 48 dias na Bahia, na viajem de volta. Passamos agora no domínio das conjeturas. Naquele 29 de março de 1825 em que Rugendas chegava no Rio no dia do seu vingésimo terceiro aniversário, ele vinha do interior. Provenientes das províncias marítimas disembarcavam no Rio; mas as NOTICIAS MARITIMAS do Diario Fluminense, que diariamente relatavam com precisão os movimentos do porto, não contém, de 23 de março à 1 de abril, o nome de Rugendas, nem o de barco algum que aparece nos desenhos seus. Ademais, a rúbrica assinala somente dois estrangeiros, um Francês vindo de Montevideo e um Espanhol vindo de Campos. Claro, são possíveis uma falha nas notícias do Diario Fluminense naquela Semana Santa de 1825; uma mentira de Rugendas em carta para o pai; ele tiver adotado outro nome ou voltado para o Rio de pequenas etapas; mas raciocinando sobre os termos da carta de Rugendas, chegamos à mesma conclusão. Se ele tivesse chegado de lugar bem conhecido no Brasil, como Pernambuco ou Bahia, bastava uma palavra para dizer; aliás, nestas cidades ele podia mandar cartas e até receber, se permanecesse por tempo suficiente. Porisso devemos supor que ele ficou no interior desde novembro. Ora, a Viagem Pittoresca mostra que ele esteve em Pernambuco. Só pode ter viajado para lá entre março de 1822 e maio de 1824, sem vinculação com a expedição Langsdorff. Isto pode ser elemento para apurar o seu conflito com o naturalista. Se julgar pelos documentos publicados, este podia se queixar da má vontade com que Rugendas cumpriu as obrigações do seu contrato, e reclamar a entrega de mais desenhos. Entretanto, a justiça manifestou-se favorável ao jovem artista, contra o barão fazendeiro e cônsul de Russia. O dossiê de Rugendas não chegou até nós, mas não podia ser completamente vazio. Uma carta, escrita em Augsburg nos fins de 1825 para a sua defesa, argumenta que Langsdorff teria rompido o seu contrato já em 1822. Uma viajem independante durante o período seguinte seria certamente um argumento [6].
Pol Briand, le 24 fevereiro 2002.
Ver Rugendas: Viagem Pitoresca ao Brasil
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Disculpem leitores de língua portuguesa, as notas e documentos não são traduzidos
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