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Association de capoeira PALMARES de Paris.
Frederico Guilherme Briggs, jovem artista nascido no Rio de Janeiro em 1813, publica nesta cidade por volta de 1832 uma série de pequenas litografias de personnagens de rua. Na de título Negros que vão levar açoutes, um dos condenados carrega uma pancarta capoeira.

Negros que vão levar açoutes
Briggs del. Litho. R.B. Rua do Ouvidor nº 118.
Fonte:
Biblioteca Nacional, acervo de gravuras sobre escravatura.
Aos 19 anos, o jovem Frederico Guilherme Briggs associa-se ao pintor e professor de desenho francês Édouard Philippe Rivière, instalada no Rio há seis anos, para fundar uma empresa de impressão lithográfica. Usava-se esta técnia para reproduzir étiquetas, partituras e desenhos. O ramo ainda era novidade no Rio, e pode-se pensar que Briggs; o pai, um comerciante britânico estabelecido no Brasil desde 1809, pude fornecer o capital inicial para um empredimento que podia dar lucro. Rivière, que vivia da venda de pinturas e de retratos, mas sobretudo, ao que parece, das lições de desenho que dispensava em colégios particulares, trazia a sua experiência; talvez foi ele que propus uma série de cartilhas descrevendo as personnagens da rua, principalemente os vendedores ambulantes com os seus gritos e chamadas características no gênero dos muito clássicos Cris de Paris (Gritos de Paris), vendidos na França desde o século dizesseis.
A série comporta assim
Negro de ganho com o seu canto crioulo
Gambu fara cua Rinoua Rinoua de Balenco Cusoa muita aprender Lé, Lé, Lé, Landasa uhe
,
Negro comprador ,
Negro fujão com o seu ferro no pescoço,
Negro tocando marimba,
Quitandeira carregando o seu tabuleiro na cabeça,
Carroça d'Alfandega,
Marinheiro,
Huma simplicia mostrando uma mulher branca em vestido elegante acompanhada de duas negras,
Negros que vão levar açoutes, que é o nosso assunto,
e várias outras sem título, representando uma procissão, uma vendedora de frutos,
um homem negro com capote feito de capim, um outro carregando uma leitoa.
Vários artistas tem representado o castigo público, pelos açoites, dos escravos no Rio de Janeiro. Debret 1835:II pl. 45 indica que o algoz era um negro condenado, e o mostra preso em cadena do mesmo jeito que o último dos três Negros do desenho de Briggs. Rugendas 1827-34 d.4 pl.15, Earle et Landseer são mais dramáticos e omitam estas cadenas; para o último, o algoz é um Branco. Nenhum destes autores mencionam o motivo do castigo. Estranhamos um pouco A inscrição 'capoeira' na pancarta. Para quem endereçava-se? Esperava-se os escravos não saber ler. Entretanto, Debret 1835:III pl. 21 representou uma inscrição dirigida para o povo da rua, colocada em um dos bonecos de Judas que queimavam no Sábado de Aleluia. O período da Regência, durante a minoria do imperador Pedro II, da demissão forcada do seu pai em 1831 até 1840, ficou bastante agitada, com numerosos distúrbios de rua. Neste contexto, a repressão das desordens provocadas por Negros podia alimentar o debate político. Nesta interpretação, a pancarta dirige-se aos eleitores, isto é, homens declarando uma renda anual conseqüente; os motivos próprios dos "negros capoeiras", pouco interessavam as fações políticas dos Brancos. Todas estas parecem ter concordado na sua repressão, embora divergissem sobre a organização da polícia e mais geralmente do Estado. Os uniformes dos soldados, um guarda municipal, outro guarda national ou da tropa de linha, também poderiam relembrar este debate.
A litografia de Briggs, destinada a um largo público, mostra que o termo 'capoeira', utilisado como incriminação pela polícia, era entendido pelos Brasileiros, mesmo que o sentido não fosse definido legalemente. O desenho associa a infração aos escravos, já que os livres não sofriam a pena de açoites, exceto os marinheiros ao bordo dos navios. Mas não ajuda-nos a entender que tipo de desordem era aquela 'capoeira', da qual o Ministro da Justiça assinala a prevenção entre as tarefas da polícia do Rio de Janeiro, para qual reclama mais homens:
para previnir roubos, assassinios, desordens de negros capoeiras, e outras malfeitorias [...]
Coutinho, Aureliano de Souza e Oliveira, Relatorio do Ministro da Justiça, Maio de 1834, pp.13-14, Brazilian Government Document Digitization Project.
Assim estamos assegurados de que o motivo 'capoeira' difere dos roubos e assassinatos, e também das insureições políticas ou de escravos, que vem tratadas em outras partes do relatório. A não ser isto, não estamos mais informados.
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Frederico Guilherme [Frederick William] Briggs, pintor, litógrafo e desenhista brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1813, falecido na mesma cidade em 1870.
Filho de um comerciante britânico instalado no Rio desde 1809, començou os seus estudos
artísticos na Academia Imperial das Belas Artes, seguindo as aulas de arquitetura de
Grandjean de Montigny (1776 - 1850) e de pintura de paysagens de Félix Taunay (1795 - 1881);
participou das Exposições desta instituição em 1829 e 1830
(Debret 1835:III-100..101). Em 1832, associado com o artista francês
Édouard Philippe Rivière, fundou a Lithografia Rivière et Briggs
.
Em 1836, viajou para Londres para aperfeiçoar os seus conhecimentos em litografia na casa
Day & Haghe onde desenhou no ano seguinte o
Panorama da Cidade do Rio de Janeiro
e a Folhinha Nacional Brasileira para o Ano de 1837.
Regressou ao Rio de Janeiro onde dirigiu em 1839 a publicação do periódico
Caricaturista, ilustrado por Porto Alegre (1806 - 1879). No ano seguinte, Briggs
imprimou uma série de caricaturas attribuídas à Rafael Mendes de Carvalho (1817 - 1870),
e uma série de 50 illustrações que seriam de Joaquim Lopes de Barros Cabral. Estes trabalhos
distinguam-se pela reprodução, de vários ângulos, da cidade do Rio de Janeiro e ficam
juntados no album Costumes Brasileiros éditado em 1840.
Em 1843, Briggs associou-se ao litógrafo prussiano Peter Ludwig (ca.1814 - 1876) na Lithografia do Comércio de Ludwig et Briggs, onde realizou em 1845 algumas páginas com cabeçalho para o periódico Ostensor Brazileiro: Jornal Literário e Pictorial e editou o album The Brazilian Souvenir: a Selection of the Most Peculiar Costumes of the Brazil en 1846. Algumas ilustrações apresentadas nesta obra encontram-se em Brazil and the Brazilians Portrayed in Historical and Descriptive Sketches, Philadelphie (Etats-Unis), 1857.
Obras: consultar a coleção digital da biblioteca national do Rio de Janeiro: gravuras e desenhos.
Leite de pedra: Litogravuras de Briggs registram o Brasil do século 19, Problemas Brasileiros 362, mar/abr 2004. [
http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/].Voltar à Capoeira nos relatórios oficiais no século 19.
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Lucia Palmares & Pol Briand