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Os textos históricos e o estudo da capoeira

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por Pol Briand

versão 3 - 6 mar 2001.

Jogar capoeira é uma coisa,
falar de capoeira é outra;
escrever é ainda outra,
ser publicado hoje é outro mundo,
e que do publicado hoje será relembrado amanhã, é inteiramente fora do domínio da capoeira.

A capoeira é uma arte prática e os textos aqui apresentados servem apenas
para um estudo derivado que podemos chamar de capoeirologia -- a arte de
falar sobre a capoeira. Que a capoeirologia serve para a capoeira, pode ser;
mas o que é falado às vezes ajuda, outras vezes atrapalha, e em muitos casos
desvia a atenção numa direção que nada tem a ver.

Entretanto, essa capoeirologia que já existe há alguns anos, é mais do que
falar sobre a capoeira. Conforme aos hábitos académicos, é escrever
sobre aquilo que já foi escrito sobre a capoeira.

Escrever, acredito, é mais difícil do que falar. Não temos cara a frente da
nossa que indica se estamos entendidos, e o movimento da caneta no papel ou
dos dedos no cumputador é muito lerdo. Eu logo fico impaciente ou confuso, e
no final, muitas vezes o que escrevi não merece mesmo atenção. O esforço é
grande, o trabalho demorado, e já que não sou escritor de profissão, posso
duvidar do fato que este livro ou livrinho, panfleto, artigo, seja publicado. Se
não é, tudo isto será em vão. Esta ideia acaba com a vontade de escrever.

Apesar da dificuldade, vários mestres de capoeira escreveram. Não encontrei
que tivesse sido publicado antes da capoeira ter alcançado um reconhecimento
folclórico e um potencial turístico. No que foi publicado depois, vale a pena
jogar um olhar crítico na diferência que existe entre os manuscritos e os livros
publicados. Vê, por exemplo, os Manuscritos de Mestre Pastinha (publicados em
fac-simile em 1996, se informa no Capoeira da Bahia on-line) e o livrinho
publicado pela Secretária do Turismo de Salvador sob o nome dele. Já que é
assinado pelo mestre, podemos acreditar que o livrinho apresenta o ponto de vista
dele. Mas a diferênça, tanto nas ideias que na expressão, demostra a pressão
editoral no livrinho, que o orgão iniciador destinava a um grande público.
Se, para escrever o seu caderno, Pastinha precisou por no papel o que ele
pensava dizer da capoeira, assumindo frequentemente tom de carta aberta
ou de sermão aos capoeiristas, para o livrinho, visando os leigos, precisava-se
de uma apresentação impessoal e muito básica. A transformação que vemos
neste caso deve alertar sobre as transformações similares que acontecem
cada vez que se passa da prática a palavra, da palavra à escritura, da escritura à
publicação. Os atores sabem quanto trabalho é para dizer um texto escrito sem
que parece lido. É preciso de ainda mais esforço para chegar à prática. O texto
nunca será mais do que um pequeno elemento.

Agora, não basta ser publicado para ser relembrado. Para isso, é preciso
ainda ser citado por outros. Nesse ponto acontecem diversas coisas. Nem tudo
mundo cita as suas fontes de informação. Também não é sempre possível.
Para jornalistas e académicos, a fonte prestigiada, de pessoa ilustre, não pode
ser esquecida; os autores menos destacados, ainda mais se não respeitaram (e
porque?) as regras universitárias, correm o risco de apagar-se, resurgindo
somente através de citação do doutor que os citou. As rixas entre correntes de
pensamento, as brigas políticas tendem na mesma direção. Portanto, continua
possível a existência discreta embora cada dia mais arriscada (pois os objetos
aos quais ninguém dá valor são facilmente destruídos) de escritos interessantes
sobre a capoeira, fora dos caminhos oficiais.

Os textos que aqui apresentamos são estes apontados pelos autores
reconhecidos. Publicamo-los, não porque achamo-los indispensáveis
ao estudo da capoeira, mas somente para poupar a outros as penas inútis
que tivemos em acha-los.

Agradecemos antecipadamente todas as correspondências, críticas, e
comunicação de textos ; pois temos informação insuficiente sobre grande
quantidade de textos dos quais temos conhecimento.

Pol


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